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Crítica: Possessor (2020)

Possessor Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE POSSESSOR!

Brandon Cronenberg é filho do realizador de culto David Cronenberg e, depois de uma estreia não muito graciosa nas longas-metragens, parece que absorveu os ensinamentos do papá e cresceu exponencialmente. Possessor é o seu novo filme e segue a vida de uma agente que trabalha para uma organização secreta que usa implantes cerebrais para “possuir” corpos de outras pessoas de forma a cometer homicídios pagos por clientes endinheirados.

Possessor Critica de Cinema

Possessor podia ser aquele cliché banal de filmes slasher mas é, de facto, um objeto de culto extremamente interessante. Para além das prestações incríveis de Andrea Riseborough e Christopher Abbott, Possessor é a simbiose perfeita entre imagem, emoção, moral e profissionalismo criativo. Talvez o seu fator mais eliminatório de um estatuto superior é mesmo não explorar as motivações das personagens com clareza, mas isso não o faz ser um filme pobre ou medíocre.

Possessor tem um charme de anos 80 embebido nas suas imagens, para além de uma realização artística que utiliza o horror como algo gracioso de se ver. Desde os padrões de sangue, à troca de identidades, à exposição física da insanidade e do remorso moral, Possessor define-se com algo de único em cinema. A câmara de Cronenberg acaba por realçar os elementos de cor que vão variando, criando uma sensação de instabilidade e desconforto constante; para além de ter atores que entendem as fragilidades e as capacidades das suas personagens. O dilema moral que as acompanha transporta-se para o olhar e expressividade das personagens, deixando-nos totalmente submersos dentro do mesmo.

Possessor Critica de Cinema

Embora, como mencionado acima, há uma falta de entendimento dos motivos que levam as pessoas a quererem ver outras a serem assassinadas, Possessor procura afunilar a sua narrativa em torno do carrasco e do seu conflito emocional em fazer o que faz. Pode não ter sido a opção mais viável, já que havia tempo para tudo, mas Possessor faz-nos sentir empatia com a personagem principal (interpretada por Riseborough) e aguça-nos a curiosidade de continuar a seguir a sua jornada. Portanto, mesmo que Possessor não seja uma obra-prima na sua totalidade, é um filme que tem uma componente artística aplicada de forma competente, prestações fabulosas e uma narrativa que é tão violenta quanto seria necessário para ficarmos investidos no seu enredo.

Se ficaram desiludidos com a quantidade de filmes de terror pobres deste Halloween, então deem uma oportunidade a Possessor e desfrutem do talento que ainda existe em Hollywood.

Possessor Critica de Cinema

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Título: Possessor

Título Original: Possessor

Realização: Brandon Cronenberg

Elenco: Andrea Riseborough, Jennifer Jason Leigh, Rossif Sutherland, Christopher Abbott, Tuppence Middleton, Christopher Jacot, Sean Bean.

Duração: 103 min.

Trailer | Possessor

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