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Crítica: 365 Dni (2020)

365 Dni Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE 365 DNI!!!

Quer queiramos admiti-lo ou não, vivemos num mundo em que a saga Fifty Shades se tornou num fenómeno à escala mundial, ainda que tal não signifique que sejam obras dignas de se ver. Dada a sua popularidade, é apenas uma questão até que comecem a chegar sósias que tentem aproveitar esta popularidade para tentar encontrar um pouco de sucesso. 365 Dni, uma co-produção polaca e italiana distribuída pela Netflix, é um desses casos.

Aquando do seu 29º aniversário, Laura decide passar uma semana de férias na Sicília, juntamente com o seu namorado e alguns amigos. Mas estas férias transformam-se num pesadelo quando Laura é raptada por Massimo, o chefe de uma das famílias mafiosas mais poderosas da ilha. E é nesta situação que Massimo lhe propõe um desafio: ele conceder-lhe-á a liberdade se esta não se apaixonar por ele num prazo de um ano.

A ilha de Sicília é um dos destinos mais populares para os amantes de viagens no estrangeiro, e muito se deve à sua paisagem natural. Portanto, ter um filme com ênfase no romance a tomar lugar num “paraíso” assim torna-se quase obrigatório. É uma pena que essa ideia seja desperdiçado com um filme como este.

Embora tenhamos uma breve visão de uma vida moderna na Polónia, este país europeu é apenas visitado em pequenas doses; ao invés, a ilha italiana ganha o protagonista, dando a 365 Dni uma espécie de palco onde um pouco de tudo pode acontecer. A cinematografia não é nada de extraordinário, mas vale-se de algumas justaposições das personagens e do espaço cénico para criar algumas imagens curiosas.

 

Infelizmente, 365 Dni está ao mesmo nível da saga Fifty Shades (ou pior). A narrativa é simples o suficiente, mas não menos polémico. Em causa está o romanticismo do bad boy com “coração de ouro”, ou de como está tudo bem se as mulheres forem raptadas e abusadas por alguém com poder para o fazer. O filme bem tenta mascarar estes problemas de enredo problemático e polémica social com as paisagens de Sicília ou com as milhares de vestimentas que ocorrem durante o filme. É quase como descrever os atores como autênticos manequins.

Esses problemas da narrativa tornam-se ainda mais relevantes assim que o filme nos presenteia com as várias cenas de sexo gratuito que nos é atirado para o colo. Este tipo de sequências podem ser arriscadas, mas quando bem executadas, podem ajudar a contar uma história com toques de interesse. Mas aqui, as mesmas cenas são apenas gratuitas, como se servissem para preencher uma quota.

Os atores principais do filme também ajudam a pintar 365 Dni num tom ainda mais negro. Nota-se claramente que estes dois foram escolhidos mais pela sua beleza exterior do que profundidade nas suas personagens. A química é praticamente inexistente, mas as suas atitudes individuais também são a fonte de bastante irritação durante este curso de quase 2 horas de filme. As motivações de Massimo para se interessar por Laura são cómicas, no mau sentido, por exemplo (e digo isto com o máximo de carinho possível).

A banda-sonora também tenta capturar essa ideia de romance, mas essa ideia torna-se ainda mais evidente quando a escolha musical inclui entradas nas chamadas “músicas de engate”.

Não é segredo que 365 Dni é a resposta polaca para a saga Fifty Shades (tendo, inclusive, uma trilogia literária). No entanto, acaba por ser um filme em que estilo e beleza suplantam qualquer tipo de substância. E o pior, é que parece que terá sequela!

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Título: 365 Dias

Título Original: 365 Dni

Realização: Barbara Bialowas, Tomasz Mandes

Elenco: Anna Maria Sieklucka, Michele Morrone, Bronislaw Wroclawski, Otar Saralidze, Magdalena Lamparska

Duração: 114 minutos

Trailer | 365 Dni

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