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Crítica: Jonas (2018)

Jonas Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE JONAS!

Ao vaguear pelo catálogo da Netflix, fiquei a perceber que há muito mais para além das sugestões mais básicas que oferece. Ao querer encontrar uma história não-americana, deparei-me com Jonas, um telefilme de 2018, que se foca no protagonista que dá título ao filme e na sua conturbada vida, vista de dois prismas. Enquanto era um adolescente preocupado com o preconceito por ser homossexual, Jonas continua, aos 30 anos, com dificuldade em equilibrar a sua vida, depois de um romance mal curado do seu passado.

Jonas Critica de Cinema

Jonas pode não ser um filme surpreendente nem muito complexo (e o seu maior defeito, incompleto), mas é um filme que retrata uma história interessante que, aliado ao bom trabalho de atores, proporciona um serão bastante agradável e diferente. Realizado por Christophe Charrier e protagonizado pelo carismático Félix Maritaud, Jonas é um produto que pode marcar pela diferença e que revela as dificuldades da comunidade LGBTQ+ a integrar-se numa sociedade pouco tolerante e opressiva.

Mesmo que o filme procure uma naturalidade óbvia, o facto de ser um filme que, a certo ponto, não chega a uma conclusão propriamente dita, faz com que perca força. Jonas é um registo que tem obrigatoriamente de marcar um ponto de mudança que, por ser tão curto e tão superficial, não tem garra suficiente. Ainda que os elementos estejam todos lá e bem ligados entre si, Jonas acaba por sucumbir a uma simplicidade demasiado óbvia e linear. Mas, ainda assim, o filme ao conjugar estes elementos traz-nos uma história cativante, muito ao estilo de Moonlight, e que é auxiliado por prestações fabulosas.

Jonas Critica de Cinema

O conflito interno do protagonista é visível nos olhos e performance de Maritaud, e isso faz com que a intensidade dramática seja o catalisador que leva o público a sentir-se investido na sua temática e no decorrer dos eventos. Outra questão importante que Jonas aborda, é a de como é difícil articular uma vida que, no seu geral, nunca foi muito positiva ou sorridente, trazendo elementos noir que assentam perfeitamente no fluxo da história. Mas é, de facto, graças ao protagonista que toda esta intensidade dramática borbulhe do início ao fim do filme e a contextualização com base nos seus flashbacks de adolescência enriquecem a necessidade de criar mais histórias do género.

Portanto, mesmo que não seja perfeito e peque por não ser um pouco mais profundo na exploração da sua história, Jonas é um bom filme de foco da temática LGBTQ+ e que abre portas a uma mistura interessante de géneros e subgéneros cinematográficos com base em valores importantes e essenciais para a sociedade de hoje.

Jonas Critica de Cinema

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Título: As Vidas de Jonas

Título Original: Jonas

Realização: Christophe Charrier

Elenco: Félix Maritaud, Nicolas Bauwens, Tommy-Lee Baïk, Aure Atika, Marie Denarnaud.

Duração: 82 min.

Trailer | Jonas

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