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Crítica: Spell (2020)

Spell Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE SPELL!

Uma família aterra de forma abrupta numa terra desconhecida e o patriarca acorda no sótão de uma praticante Hoodoo sem a sua família e com o pé em muito mau estado. Depois de descobrir que os seus novos senhorios não têm as melhores intenções, Marquis precisa de escapar antes da ascensão da Lua Sangrenta e impedir que seja vítima de um ritual.

Spell Critica de Cinema

Spell é uma agradável surpresa no panorama de terror que se tem visto ultimamente no cinema. Não é, de todo, uma obra completa e contém exageros inadmissíveis, mas não deixa de ter momentos de tensão verdadeiramente envolventes e uma prestação icónica da veterana Loretta Devine. Spell trabalha com carisma todo o misticismo ligado a esta prática e o desenrolar da narrativa é interessante, mesmo que careça de momentos ainda mais agressivos para o espectador. Os poucos que consegue articular são extremamente competentes, criando toda uma atmosfera de mistério cativante e recupera o suspense à medida que avança.

O maior problema do filme é precisamente a condução da personagem principal que toma atitudes insensatas e impulsivas que não convencem na maioria das vezes. As oportunidades de fuga do protagonista Omari Hardwick (a estrela de Power) são imensas e sente-se que o filme acaba por sucumbir a uma necessidade de se explicar quando poderia ter terminado bem mais cedo. No entanto, mesmo que estas atitudes sejam questionáveis, a verdade é que Spell incute uma sensação de confusão desnorteante de uma realidade inescapável.

Spell Critica de Cinema

Quando se foca no misticismo que gira em torno da sua narrativa, é quando Spell brilha, aproveitando os diálogos acutilantes de Devine. A presença da atriz é o que torna Spell um thriller extremamente forte, e a naturalidade com que desempenha o papel de vilã faz com que o filme floresça e se torne entusiasmante. Claro que deveria haver uma melhor exploração das motivações principais que levam esta família de vilões a ter estes comportamentos deploráveis. Há toda uma questão racial por trás da mensagem principal de Spell, especialmente no que toca à polarização de classes, e a todo um background de bruxaria associado à etnia que é o foco do filme.

Isto torna Spell mais rico na transmissão de novos conhecimentos e, acima de tudo, torna-se um filme de terror que conquista mais pela sua componente histórica do que propriamente pelos momentos em falta de um terror explícito e ainda mais violento. A verdade é que as poucas sequências de horror são mesmo interessantes e é pena que se sejam reduzidas à medida que o filme avança. A componente de fantasia ligada ao misticismo também é exagerada a longo prazo, mas ainda assim, o filme consegue perceber as suas falhas e utiliza-as para enaltecer a sua temática doutra forma.

Portanto, Spell pode não ser “o filme de terror do ano” e ter defeitos que não lhe permitem ir um pouco mais além, mas é um filme que entretém e que nos faz passar um serão agradável dentro do género de terror neste Halloween.

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Título: O Feitiço

Título Original: Spell

Realização: Mark Tonderai

Elenco: Omari Hardwick, Loretta Devine, Lorraine Burroughs, John Beasley, Andre Jacobs.

Duração: 91 min.

Trailer | Spell

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