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Crítica: The Place of No Words (2019)

The Place of No Words Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE THE PLACE OF NO WORDS!!!

Os temas relacionados com a morte e o processo de luto não são propriamente uma novidade no mundo do cinema. Acreditem, há imensos títulos por aí, por vezes de orçamentos exagerados, que lidam com estes temas, ora com carinho, ora com a crueldade do nosso mundo. E é nessa linha ténue que encontramos este The Place of No Words.

No filme, o jovem Bodhi saltita entre um mundo de fantasia e a realidade ao descobrir que o seu pai está a sofrer de uma doença terminal.

The Place of No Words, à primeira vista, é um filme estranho. E muita dessa estranheza inicial parte da própria estrutura do filme; num momento estamos perante as experiências de vida de um casal e do seu filho infantil, no próximo somos catapulados para um mundo fantástico a partir do pai e filho. E isto sem mencionar os vários saltos para a frente e para trás no tempo, o que poderá deixar a maior parte da audiência a levantar algumas dúvidas sobre o que estará realmente a passar.

Felizmente, acaba por fazer um click. E nestes segmentos, conseguimos apreciar os altos e baixos que pai e filho enfrentam desde o dia do diagnóstico (que apenas se sabe que é grave) até aos últimos momentos de vida. Existe um certo carinho presente nestes momentos, dentro e fora da imaginação fértil da criança, mas não desdém alguns momentos mais emocionais, capazes de apertar o coração com uma força monstruosa.

Mark Webber não é um estranho na Sétima Arte; o seu currículo inclui várias presenças nos ecrãs, e iniciou uma carreira como realizador de filmes maioritariamente independentes. Esse mesmo talento encontra-se espelhado em The Place of No Words, aproveitando-se de uma simplicidade estética que se torna mágico, independentemente se estamos a ver os eventos numa fantasia ou na realidade.

Webber esmera-se como realizador, mas também conta com funções de produtor, guionista e ator. E embora este não seja a única cara conhecida presente no filme, este trouxe consigo Teresa Palmer (mulher na vida real) e Bodhi Palmer (o filho deles) em papéis de maior relevo. E embora pudesse apreciar as imensas sequências partilhadas entre pai e filho (é o tema central do filme, no fim e ao cabo), só gostava que tivessem dado algum destaque ao elenco secundário. Isto porque mal temos tempo para poder ver como a mulher lida com a situação, ou as outras figuras importantes da família (cheira-me que o personagem de Eric Christian Olsen seja irmão do protagonista ou amigo da família, mas, tal como em tudo, essa informação não é explícita o suficiente).

The Place of No Words não é perfeito, mas, se pensarmos nem, a vida também não o é. É um filme simples e com uma mensagem forte, alavancado por Webber e pelo jovem Bodhi, se bem que a estrutura do mesmo pode deixar muita gente confusa inicialmente.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: The Place of No Words

Realização: Mark Webber

Elenco: Mark Webber, Teresa Palmer, Bodhi Palmer

Duração: 95 minutos

Trailer | The Place of No Words

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