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Crítica: Mortal (2020)

Mortal Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE MORTAL!

Outro filme proveniente da Noruega que deixou mais tormento na cabeça do que encantar. Mortal acompanha a história de Eric, um americano, que descobre possuir poderes ligados à mitologia nórdica e que está a preocupar as autoridades norueguesas. É lançada uma forte “caça ao homem” que traz consequências avassaladoras e, enquanto foge, Eric vai descobrindo mais detalhes sobre estes seus poderes.

Mortal Critica de Cinema

Mortal tenta trazer, com charme norueguês, a temática dos super-heróis a um nível diferente, mais focado na parte religiosa. É composto por imagens bonitas que captam a essência do país onde se insere e utiliza uma série de efeitos visuais interessantes para adornar uma temática condenada pela ambição do realizador André Øvredal. Há certas coisas que me chateiam na americanização do cinema. Nem tudo é dos EUA, gente! Sou também um defensor de que há papéis para todas as nacionalidades e etnias e chateia-me um pouco a insensatez do realizador em tentar utilizar um ator norte-americano para vender o seu produto para arrancar umas coroas extras e destruir a raiz originária do seu produto. Mortal não é um filme que faça sentido incluir uma personagem norte-americana (já é o segundo papel problemático que Nat Wolff interpreta de algo enraizado numa cultura estrangeira e adaptado para massas norte-americanas, sendo o primeiro o remake live-action de Death Note) como protagonista, quando devia manter-se fiel às origens e ser totalmente sediado no país em que se foca e, por conseguinte, com atores e personagens norueguesas.

Mesmo que o conceito de Mortal seja interessante e que agrade às massas, não é justificável esta opção publicitária e ambição em querer ser “mais ou igual” ao cinema do mesmo género norte-americano. A ânsia de Øvredal em querer igualar-se deitou tudo, no fim, a perder. Mas Mortal não é só um filme problemático nesta questão, já que a sua história está estagnada em si mesma e apenas nos minutos finais é que temos uma breve e irrisória explicação do que são os poderes do protagonista e atinge um clímax completamente inesperado e que não assenta totalmente bem com o fluxo narrativo, porque Mortal pinta-se a si mesmo como algo linear e sem grandes surpresas para a camada jovem. Apesar de ter imagens bonitas e uma direção de fotografia porreira, Mortal é um fiasco que pensa apenas em fazer dinheiro sem se preocupar em se justificar convenientemente.

Mortal Critica de Cinema

Para além disto, Mortal parece ser a primeira entrada de uma espécie de franchise que Øvredal quer iniciar e é tão pobre e tão apressado que não tem cabimento. Isto não sabe a capítulo introdutório, mas sim a algo feito porque sim porque tem efeitos especiais e poderes sobrenaturais e “é disto que a juventude gosta”. Esta mentalidade tacanha em querer americanizar o que é culturalmente europeu é algo que me mexe com o sistema nervoso. As personagens de Mortal são vazias, ocas, sem qualquer tipo de exploração, e o filme é literalmente uma maneira de Øvredal querer ascender a estatuto de “realizador da DC ou Marvel” e utiliza o seu país para chamar à atenção. Enfim…

Afastem-se de Mortal mesmo que as paisagens bem captadas da Noruega vos seduzam. Estão a contribuir para um novo franchise sem gosto e desrespeitoso.

Mortal Critica de Cinema

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Título: Mortal

Título Original: Mortal

Realização: André Øvredal

Elenco: Nat Wolff, Priyanka Bose, Iben Akerlie.

Duração: 100 min.

Trailer | Mortal

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