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Crítica: Kadaver (2020)

Kadaver Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE KADAVER!

Proveniente da Noruega, o novo filme de terror da Netflix centra-se num mundo pós-apocalíptico, onde a humanidade ficou faminta após um acidente nuclear de larga escala. Numa estranha manhã, uma família é convidada a participar numa peça de teatro invulgar e que esconde um terrível segredo.

Kadaver Critica de Cinema

É triste quando inicialmente começamos a gostar dum filme, mas o seu desenrolar vai destruindo a sua ideia. Os visuais de Kadaver são extremamente acutilantes para o olho humano, ainda que a sua história vá caindo numa estupidez pegada que destrói por completo a sua imprevisibilidade. De facto, Kadaver tinha obrigação de não ser uma história linear, já que a sua premissa diz logo de caras aquilo que se irá passar. Apesar duma prestação aceitável da protagonista Gitte Witt, o filme não consegue criar uma empatia a longo prazo com aquilo que vai expondo. Empatia no sentido de criar entusiasmo no espectador para os eventos que se vão seguindo… e porquê? Porque Kadaver tem medo de chocar.

É uma dinâmica problemática no cinema de terror. É importante reconhecermos que, por vezes um conceito interessante, necessita de uma execução violenta para proporcionar instabilidade no público. Kadaver reduz as suas sequências de violência e sangue, tentando conquistar-nos com a sua componente técnica artística impressionante. Mas o design de produção de um filme não é suficiente (de todo) para nos deixar investidos em algo que sabemos perfeitamente onde vai parar. A verdade é que Kadaver vê-se bem por ser curto, mas o seu clímax atinge um nível de ridicularização inadmissível. Apesar de algumas sequências estarem bem filmadas, o argumento é muito pobre em dar camadas ou de criar momentos lógicos de atitudes das próprias personagens.

Kadaver Critica de Cinema

É justificável a noção de sobrevivência para a carnificina humana, mas não é justificável a falta de noção da humanidade, em tempos de escassez, em ir a um teatro onde lhes é oferecido tudo do bom e do melhor. É quase como apelar um pouco à burrice e à ingenuidade. O desespero não é resposta para tudo e nem todos temos a mesma forma de pensar ou os mesmos instintos. Mas lá está, sem este fator, provavelmente Kadaver nunca seria feito. No entanto, é um filme banal em termos de desenvolvimento e tinha obrigatoriamente que nos provocar e nos fazer acreditar que não haverá (mesmo que haja uma ínfima probabilidade) hipótese de sobreviver.

Portanto, Kadaver prometia ser algo bem melhor do que realmente foi, ainda que possua imagens belas e sedutoras ao olho humano devido à estilização focada nos tons vermelhos e nas nuances a Alice in Wonderland e Red Riding Hood para disfarçar um conto de horror. Ainda assim, é um filme desperdiçado.

Kadaver Critica de Cinema

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Título: Cadáver

Título Original: Kadaver

Realização: Jarand Herdal

Elenco: Gitte Witt, Thomas Gullestad, Thorbjorn Harr, Kingsford Siayor, Maria Grazia Di Meo.

Duração: 86 min.

Trailer | Kadaver

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