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Crítica: Unhinged (2020)

Unhinged Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE UNHINGED!

Uma jovem mãe recentemente divorciada tem uma desavença com um condutor instável e provoca uma rampage de raiva do mesmo, que a persegue para todo o lado e coloca em perigo os que lhe são mais próximos. Unhinged é o novo thriller que conta com um Russell Crowe no papel de vilão, mas que tem muito pouca substância para marcar pela diferença.

Unhinged Critica de Cinema

Unhinged tem alguns aspetos positivos, sem dúvida. No entanto, não é um thriller que consiga primar pelo ensinamento que pretende ilustrar, caindo em exageros desnecessários e carece de uma justificação plausível para o que se vai desenrolando ao longo da hora e meia. Apesar do elenco ser extremamente competente e ser interessante ver Crowe num papel atípico ao que estamos habituados, Unhinged é mesmo revoltantemente básico e tenta disfarçar a sua falta de substância com sequências de ação constantes.

Com uma abertura digna, Unhinged prometia mais do que realmente entregou; procurando centrar-se na idade de uma sociedade cada vez mais impulsiva e de temperamento agressivo e descontrolado. Os ataques de raiva que sobressaem em momentos pouco próprios, por assim dizer. A personagem de Crowe personifica isto, mas o espectador nunca consegue entender claramente aquilo que a leva a ter este comportamento disruptivo e sedento de uma vingança por algo tão banal. E, apesar de criar momentos de verdadeira tensão – sendo este o seu aspeto positivo que mais se realça – Unhinged não nos contextualiza nem demonstra preocupação em querer justificar as atitudes das personagens em questão.

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Caren Pistorious é também carismática, mas pouco é percetível da sua psicologia e o cliché de justiceira pelas próprias mãos acaba por destruir a mística de mistério que o filme procura incutir incessantemente. A verdade é que Unhinged não consegue ir mais além dos seus defeitos, construindo situações exageradas para alimentar um ódio que… sejamos sinceros… ninguém percebe muito bem de onde vem. No entanto, algumas sequências de ação e de perseguição automóvel estão extremamente bem filmadas e criam uma adrenalina interessante ao longo do filme. Mesmo que sejam boas, estas sequências não salvam o filme da mediocridade.

Como o público não tem muito por onde se agarrar em termos argumentativos, Unhinged é uma tentativa frustrada de ilustrar uma situação má e pouco ética e de usá-la como um despoletar de comportamentos exagerados no protagonista vilanesco. Se o filme optasse por seguir uma via mais credível e não cair nos típicos clichés de se querer tornar num filme de ação e se ficasse pelos elementos mais simples de um thriller, talvez conseguisse ser melhor do que aquilo que realmente é. Ainda assim não deixo de nutrir um pouco de apreço pela prestação de Crowe que se revela um vilão à altura das suas capacidades, ainda que Unhinged não lhe consiga fazer justiça por não incluir sequer um background plausível para a sua personagem.

Se estiverem à espera de um thriller substancial então afastem-se de Unhinged, mas se quiserem desligar o cérebro e presenciar algo apenas porque sim, então têm um serão engraçado para passarem um bocado aprazível.

Unhinged Critica de Cinema

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Título: Fúria Incontrolável

Título Original: Unhinged

Realização: Derrick Borte

Elenco: Russell Crowe, Caren Pistorius, Gabriel Bateman, Jimmi Simpson, Austin P. McKenzie.

Duração: 90 min.

Trailer | Unhinged

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