Cinema Críticas

Crítica: 2067 (2020)

2067 Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE 2067!!!

Quem disse que blockbusters de ficção científica são exclusivos dos Estados Unidos? Pelo menos é essa a ideia que se tira deste 2067, um filme australiano de ficção científica que consegue ser visualmente apelativo, mas não vai mais além do que isso.

Num futuro próximo, o mundo ficará à beira da destruição devido às desflorestação. Sem oxigénio puro, os seres humanos começam a criar oxigénio sintético, embora isto abra portas para todo um novo conjunto de problemas de saúde. Ethan Whyte é um jovem rapaz que trabalha na manutenção de uma central nuclear que recebe uma missão impossível: viajar para o futuro e trazer consigo uma cura.

Primeiro de tudo, 2067 é um filme que se revela visualmente apelativo. Se for pela degradação da humanidade num futuro próximo ou a surpreendente florestação num futuro semi-distante, o filme oferece uma visão curiosa e ligeiramente diferente do habitual. Parte disso deve-se aos esforços do seu realizador, Seth Larney, que traz a sua experiência na área dos efeitos visuais nesta sua segunda tentativa como realizador de longas-metragens.

Dito isto, já foi provado vezes e vezes sem conta que, por mais belo que um filme possa ser, nada de vale se não tiver a história cativante a acompanhar. E infelizmente, 2067 deixa a desejar nesse aspeto. Toda a sua narrativa gira em torno de temas que, para o bem ou para o mal, já foram explorados vezes e vezes sem conta no grande ecrã, e com resultados mais satisfatórios do que pudemos ver neste filme. Não se pode dizer que o trajeto do mesmo seja previsível, mas aventura-se por áreas já por si familiares.

Essa “mão” também é extendida para todo o elenco do filme. Sim, “todo”. Não há nenhuma performance neste filme que possa servir de salvaguarda neste filme. Isso aplica-se mais no seu duo protagonista, Kodi Smit-McPhee e Ryan Kwanten, dois atores que, no passado, já provaram as suas capacidades em diversos projetos diferentes; aqui, são resignados a uma dupla sem um pingo de carisma, que trocam diálogos forçados e “habituais” aos gritos e esperam que nós, como audiências, sintamos uma espécie de ligação emocional.

Aliás, ligações emocionais também tornam-se num “centro das atenções” no filme, com Ethan a ter de lidar com a morte do seu pai e dos traumas que acompanham nesse trajeto. Este elemento, quando bem executado, pode trazer maravilhas; infelizmente, o filme constrói estes momentos de forma a que sejam forçados e não merecidos no seu todo.

2067 tinha potencial para ser algo mais. Afinal, tem a aparência necessária para se poder levar um pouco mais a sério. No entanto, é simplesmente mais um caso de “muita aparência, pouca substância”.

Podem ler outras das nossas Críticas aqui.

Título: 2067

Realização: Seth Larney

Elenco: Kodi Smit-McPhee, Ryan Kwanten, Sana’a Shaik, Deborah Mailman, Aaron Glenane

Duração: 114 minutos

Trailer | 2067

Comments