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Crítica: Evil Eye (2020)

Evil Eye Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE EVIL EYE!

Depois de Nocturne e Black Box, Evil Eye é a mais recente colaboração da Amazon com a Blumhouse para este serão arrepiante do mês do terror. O resultado? Terrível… Evil Eye é uma produção que é tão banal e tão melodramática e exagerada que se torna extremamente doloroso de ver. A história acompanha uma mãe obcecada com a sua filha, impingindo-lhe constantemente que encontre um marido o mais rápido possível para dar continuidade às tradições e aos costumes da família. Estando do outro lado do oceano, Pallavi acaba por conhecer aquele que parece ser o homem dos seus sonhos, mas Usha, sua mãe, está cética em relação a este súbito pretendente e esta situação começa a despertar-lhe memórias de um passado agridoce.

Evil Eye Critica de Cinema

Evil Eye, ou Mau Olhado, é um filme que procura desalmadamente realçar a ligação entre uma mãe e uma filha, que se torna um produto caricatural dentro de si mesmo (note-se que não era o pretendido, mas meteu, literalmente, a “pata na poça”) e torna-se incomodativo. A verdade é que para quem não conhece os costumes indianos, certamente não irá ficar com uma boa imagem daquilo que é transposto para o ecrã. As convenções (que estão já démodé) sobre os casamentos arranjados são ilustradas como que um desespero de aceitação cultural e, mesmo que a prestação de Sarita Choudhury seja o melhor que o filme tem, a conduta da sua personagem é tão ridiculamente obsessiva quanto é bipolar sem necessidade.

A construção narrativa procura tão descontroladamente mostrar que devemos confiar nos instintos das nossas mães, que se esquece que está a ridicularizar a própria ideia que quer incutir. E isto é visível pelos comportamentos de Usha que praticamente quer controlar tudo aquilo que a filha faz como se ela fosse um bebé ingénuo. Para além disto, o objeto sobrenatural que é colocado é tão caracteristicamente cliché que Evil Eye torna-se um suplício de ver. Ou seja, Evil Eye é uma obra extremamente frustrada que em vez de primar pelo seu objeto cultural, exagera no controlo parental e na parte supersticiosa que se ridiculariza mais do que transmitir com clareza os seus objetivos primários.

Evil Eye Critica de Cinema

Sarita Choudhury é, de facto, o maior trunfo do filme, ainda que a sua personagem seja tão estereotipada e tão cruelmente exagerada que se torna impossível nutrirmos qualquer empatia com a mesma. O restante elenco, bem como a filmagem, não tem muito que se lhe diga… é banal e vulgar, sem grandes feitos e sem grandes entusiasmos. Para complementar aspetos culturais importantes nos tempos que correm e criar narrativas de terror que façam sentido na atualidade é preciso ter-se uma certa sensibilidade que claramente os realizadores Elan Dassani e Rajeev Dassani ainda não têm.

Portanto, evitem Evil Eye e vejam filmes mais substanciais de terror para ocuparem este mês de Halloween com alguma qualidade.

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Título: Mau Olhado

Título Original: Evil Eye

Realização: Elan Dassani & Rajeev Dassani

Elenco: Sarita Choudhury, Sunita Mani, Bernard White, Omar Maskati, Anjali Bhimani.

Duração: 90 min.

Trailer | Evil Eye

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