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Crítica: The Glorias (2020)

The Glorias Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE THE GLORIAS!!!

O movimento pela igualdade dos direitos das mulheres continua em força, mesmo nos dias de hoje. Apesar de ser um movimento já “antigo”, continua bem presente nas nossas vidas. E aos poucos e poucos, este movimento vai surtindo resultados históricos em todo o mundo, ainda que leve algum tempo. Este movimento teve várias figuras públicas no cerne das atenções ao longo dos anos, e algumas delas já tiveram direito a biopics (ou simplesmente convidam para um biopic eventual). Uma destas figuras ganha direito a este tratamento neste The Glorias.

O filme acompanha as várias fases da vida de Gloria Steinem, desde os seus inícios humildes até à sua carreira promissora como jornalista, até se tornar na cara do movimento de igualdade dos direitos das mulheres, não só dos Estados Unidos, mas de todo o mundo.

Biopics são um género de filmes que podem ser complicados de trazer para o ecrã de forma eficaz. Alguns filmes conseguem triunfar com algumas surpresas pelo, enquanto outras ficam aquém do desejado. Nesse sentido, The Glorias tenta o possível para agradar a todos conforme possível.

De uma forma bastante resumida, The Glorias acompanha a vida de Steinem durante diferentes fases da sua vida. E ter quatro atrizes a interpretarem a ativista traz algumas maravilhas. Podemos observar o início da sua inocência, a quebra da mesma, e o fomentar da sua vontade de lutar contra as injustiças que as mulheres enfrentam em todo o mundo. É uma pena que, das quatro, o filme dá mais atenção a Alicia Vikander e Julianne Moore do que às atrizes que compõem a infância e adolescência de Steinem, mas isso não implica más performances das quatro.

O filme consegue oferecer alguns momentos importantes da vida de Steinem, mas há momento em que o próprio filme nos diz “não é sobre ela, é sobre todas as mulheres”, e isso torna-se mais notável quando Gloria se faz acompanhar de várias mulheres influentes e de como elas também trouxeram consigo um impacto notável na história do movimento.

Portanto, pode-se dizer que The Glorias não se trata apenas sobre a vida de Gloria Steinem, mas também de toda a história do movimento e das suas figuras mais importantes. E se essa era a missão do filme, então pode-se dizer que a missão é mais do que cumprida.

As intenções de The Glorias são boas, mas a execução podia ter sido melhor aproveitada. Com uma duração que ultrapassa as 2 horas, o filme acompanha diversos momentos da vida e impacto de Gloria Steinem; no entanto, são tantas e com os seus impactos diversos, que há alguns que se revelam mais fortes do que outros. Confesso que o filme teria um maior benefício se se centrasse nos momentos deveras importantes e, assim, reduzir consideravelmente na sua duração, que chega a exagerar.

The Glorias mantém algum realismo na sua abordagem (já para não falar de misturar também algumas imagens de arquivo de alguns eventos reais), mas também aposta numa abordagem mais surreal que, embora único, também tira momentaneamente do sério, graças a algumas sequências, no mínimo, confusas.

The Glorias não é, no seu todo, um mau filme. A execução do mesmo e alguns momentos surreais podem denegrir o potencial do mesmo, mas ao mesmo tempo, a mensagem é transmitida com sucesso suficiente, e ter um quarteto de atrizes a interpretar uma figura importante da história do movimento é uma grande ajuda também.

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Título: The Glorias

Realização: Julie Taymor

Elenco: Julianne Moore, Alicia Vikander, Ryan Kiera Armstrong, Lulu Wilson, Timothy Hutton, Enid Graham, Janelle Monáe, Lorraine Toussaint, Bette Midler

Duração: 139 minutos

Trailer | The Glorias

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