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The Haunting Of Bly Manor – Season Finale – 2ª Temporada

The Haunting of Bly Manor season finale

PODE CONTER SPOILERS DE THE HAUNTING OF BLY MANOR!!!

Dizer que The Haunting of Hill House foi uma agradável surpresa não lhe faz justiça! A minissérie, criada por Mike Flanagan para a Netflix, mostrou que não só há espaço ainda para histórias de terror “à moda antiga”, como também colocar o lado humano e uma cinematografia e edição imaculadas conseguem trazer pontos positivos. Portanto, foi uma surpresa a minissérie ter sido renovada para uma segunda temporada, já para não falar de converter a mesma num formato antológica. E para esta segunda ronda, Flanagan decidiu inspirar-se nas obras icónicas do autor Henry James para nos trazer este The Haunting of Bly Manor!

Tomando lugar no ano de 1987, The Haunting of Bly Manor centra-se em Dani (Victoria Pedretti), uma jovem americana que aceita um trabalho como au pair de duas crianças numa mansão no Reino Unido. No entanto, ao interagir com as crianças e com o staff da mansão, Dani começa a reparar que nem tudo está bem nesta mansão.

O MELHOR:

Apesar de não superar a temporada antecessora, The Haunting of Bly Manor tem alguns charmes a seu favor.

Começando, claramente, pelo aspeto técnico da série. The Haunting of Hill House teve a benesse de gozar de uma cinematografia excelente, já para não falar de um set design que conferiu uma certa identidade ao próprio edifício. Esse mesmo efeito é reproduzido em Bly Manor, com uma cinematografia digna de um filme de terror e um set design que confere uma espécie de identidade à mansão titular. Embora não seja tão inovadora quanto a temporada anterior (especialmente se revermos o sexto episódio), Bly Manor consegue trazer consigo um sabor único.

A história pode deixar a desejar nesta segunda volta, mas o mesmo não se aplica ao elenco, que conta com algumas caras familiares de Hill House e outras inéditas. Victoria Pedretti volta a surpreender pela positiva, mostrando o seu lado enternecedor quando interage com as crianças (cujos comportamentos conseguem ser suficientemente creepy de maneiras diferentes), mas sem descurar um passado traumatizante que insiste em assombrá-la durante o curso da temporada. O mesmo também se aplica ao restante elenco secundário, seja pelas crianças em si, ou o staff da mansão, que incluem a governanta Hannah Grose (T’Nia Miller), o cozinheiro Owen (Rahul Kohli) e a jardineira Jamie (Amelia Eve). Embora não seja personagens que rocem no extraordinário, são performances competentes que acabam por nos incutir uma espécie de carinho nos seus trajetos pessoais.

O PIOR:

Infelizmente, há elementos que não funcionam bem em Bly Manor.

The Haunting of Hill House concentrou os seus esforços no fator do drama humano, e saiu a ganhar nesse aspeto, mas não ignorou o elemento de terror. Infelizmente, essa sensação de terror está praticamente desaparecida em Bly Manor, dando um maior foco no drama e romance do que propriamente no conceito de terror, que não é tão eficaz nesta segunda temporada.

Hill House também manteve uma espécie de consistência graças ao facto de ter Flanagan como realizador de todos os episódios. Bly Manor conta com um maior número de realizadores desta vez, cada um deles com uma voz distinta, ou seja, o tom da série torna-se um pouco mais inconsistentes.

Os vários saltos temporais ajudam a explorar a mitologia da série, além de explorar o passado de alguns personagens, mas a forma como é-nos apresentada podia ter sido melhor executada. Ou seja, as várias memórias que vamos testemunhando acabam por nos deixar ainda mais confusos do que antes.

E ainda sobre a narrativa Hill House sempre foi direta ao assunto. O mesmo não se aplica a Bly Manor, que complica mais do que simplifica. O que começa como uma au pair a ser atormentada pelos eventos estranhos da mansão acaba por se emaranhar nas perspetivas do staff do presente e do passado.

E quanto menos se falar do subplot em redor de Henry Wingrave (Henry Thomas), melhor! Não ajuda que o ator mostre um sotaque britânico inconsistente, mas toda a sua narrativa pessoal não revela qualquer impacto aparente para a narrativa em geral, somente para adicionar um pouco mais de drama desnecessário.

The Haunting of Bly Manor é uma desilusão. Ainda que goze de uma componente técnica sublime e performances credíveis, parece que fomos presenteados com um romance bastante complicado e que teria beneficiado de elementos de terror mais vincados.

Resta saber se a Netflix terá fé em Flanagan para conceder uma nova entrada de The Haunting of. Até lá, podem ler a nossa crítica de The Haunting of Hill House aqui.

Estado da série: STAND-BY

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Average Rating

Apesar de contar com um aspeto técnico interessante e performances competentes, The Haunting of Bly Manor deixa bastante a desejar nos aspetos que tornaram Hill House uma verdadeira surpresa.

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