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The Boys – Season Finale – 2ª Temporada

The Boys season finale

PODE CONTER SPOILERS DE THE BOYS!!!

The Boys, a aclamada banda desenhada de Garth Ennis (o mesmo autor por detrás do também popular Preacher), teve direito a uma adaptação televisiva pelas mãos de Erik Kripke (responsável por séries como Supernatural ou Timeless), produzida pelo duo de Seth Rogen e Evan Goldberg e transmitido pela Amazon. Dizer que a série foi uma lufada de ar fresco não é exatamente novo, visto que, a par de séries como Doom Patrol ou The Umbrella Academy, The Boys conseguiu trazer algo novo para o género dos super-heróis. Portanto, era uma questão de tempo até a série ter direito a uma segunda temporada. E em 2020, a série está de regresso!

Esta segunda temporada arranca pouco tempo depois dos eventos da temporada anterior, com os Boys – Billy Butcher (Karl Urban), Hughie (Jack Quaid), Mother’s Milk (Laz Alonzo), Frenchie (Tomer Capon) e Kimiko (Karen Fukuhara) a serem caçados pelas autoridades por crimes que eles não cometeram. Ao mesmo tempo, Homelander (Antony Starr) não só terá de lidar com o papel mais ativo da Vought, mas também com a chegada de Stormfront (Aya Cash), uma heroína eletrizante que esconde intenções tenebrosas.

O MELHOR:

The Boys mantém o nível de insanidade que marcou a sua temporada inaugural pela positiva. Ou melhor, pode muito bem ter superado nesse aspeto!

Vinda da mente de Garth Ennis, seria de esperar que The Boys, no seu formato televisivo, fosse tão ou mais louco que o material em que se baseia. A temporada inicial deixou bem claro que este não é a típica série de super-heróis a que nos acostumámos no passado, e esta segunda temporada mantém essa tendência com sequências exageradas a nível de violência gratuita, mas não menos hilariantes, no ponto de vista mais geral.

Esta segunda temporada, no entanto, toma uma abordagem diferente para a sua narrativa. Tem algumas surpresas muito bem reservadas que dão origem a um pay-off interessante não só para o season finale mas também para a sua terceira temporada já confirmada, mas The Boys dá uma maior atenção aos seus personagens nesta segunda volta. E temos vários bons exemplos desses desenvolvimentos; temos direito a uma visão do lado mais humano de Billy Butcher em contraste da sua personalidade mais regular (o que traduz o talento de Urban em situações importantes), mas também temos direito a um aprofundamento do passado de personagens como Mother’s Milk ou Frenchie, só para referir alguns.

Tal como a temporada anterior, The Boys ganha pontos quando decide tomar atenção aos seus vilões (desculpem, “heróis”). Antony Starr foi uma das surpresas da temporada anterior, entregando-nos uma espécie de visão de um Super-Homem psicopata, sem receio das suas próprias ações ou de quem tem de passar por cima para levar a sua avante. Esta segunda temporada mantém esse tendência por parte do personagem e do ator, com a sua imprevisibilidade dando uma sensação de terror sobre o próximo ato imprevisível que irá tomar.

No entanto, Homelander não é o único a concorrer para o 1º lugar de “vilão do ano”, uma vez que tem a concorrência direta de Stormfront, que não perde tempo em dar a volta a este mundo. A personagem serve de reflexão sobre a influência das redes sociais nas nossas vidas, especialmente quando temos celebridades ou figuras de poder a tomar as rédeas para incitar o público. Este pode não ser o papel mais complexo de Aya Cash, mas não deixa de entreter do início ao fim. E sim, não é preciso tomar bastante tempo para começarem a criar os vossos juízos de valor em relação à mesma.

Além do elenco original, The Boys inclui algumas presenças surpreendentes durante o curso da temporada. Temos direito a cameos de alguns atores reconhecidos do pequeno ecrã, incluindo Jim Beaver e mesmo John Noble, mas também conta com algumas presenças mais “regulares”, tais como Giancarlo Esposito ou Shawn Ashmore em papéis de interesse.

Também tenho de mencionar a escolha “controversa” no método de lançamento de The Boys nesta temporada, que optou pelo lançamento semanal dos episódios em detrimento de um lançamento consecutivo. É compreensível a escolha premeditada dos responsáveis da série, e, na minha modesta opinião, permitiu-me uma melhor digestão dos eventos retratados da série.

O PIOR:

No entanto, existem elementos nesta temporada de The Boys que, infelizmente, não funcionam muito bem.

Com tantos elementos narrativos conjugados ao mesmo tempo, seria de esperar que nem todos tivessem uma receção calorosa. E infelizmente, as narrativas de Maeve (Dominique McElligott) e The Deep (Chace Crawford) não levam a lado nenhum. No que respeita a Maeve, a narrativa sobre a sua identidade sexual não teve direito a um carinho especial, como se estivesse a preencher uma quota. Já a de The Deep, só serviu como uma espécie de alvo de chacota de forma quase consistente.

A temporada ganha por oferecer um maior foco nos seus personagens, mas isso sacrifica uma narrativa principal que, apesar do seu potencial, não chega aos calcanhares do que tivemos direito na temporada anterior.

Com isto, que uma coisa fique bem clara: The Boys é muito mais que a soma dos seus defeitos. A segunda temporada pode ter os seus elementos menos bons, mas estes não a degradam por completo. Por outras palavras, temos direito a uma ronda que continua a ser violenta, mas não menos hilariante e também nos dá que pensar. E isto sem mencionar o facto de incluir algumas ideias interessantes para quando esta regressar ao ativo.

A série, tal como já tinha mencionado antes, já foi renovada para uma terceira temporada, e já vai trazer consigo o ator Jensen Ackles no seu primeiro papel pós-Supernatural. E sem mencionar que ainda vamos ter direito a um spin-off original. Até lá, podem recordar o que achámos da temporada anterior aqui.

Estado da série: RENOVADA

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Embora tenha alguns aspetos menos trabalhados, a segunda temporada de The Boys não deixa de providenciar momentos violentos e hilariantes para os fãs de super-heróis que procurem por algo diferente.

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