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Crítica: Tommaso (2019)

Tommaso Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE TOMMASO!

Durante a primeira edição do Azeméis Film Festival, um dos nomes mais aguardados era a obra autobiográfica de Abel Ferrara, de nome Tommaso, que conta com Willem Dafoe no papel principal. Tommaso é um americano que vive em Roma com a sua esposa jovem e a sua filha de idade ainda muito tenra. A sua vida parece idílica até que Tommaso começa a suspeitar da sua esposa de traição.

Tommaso Critica de Cinema

Nunca vi um filme de Abel Ferrara e, portanto, deduzo que não tenho muita moral para fazer uma avaliação forte daquilo que Tommaso representa. Posso falar apenas daquilo que o filme me transmitiu e na composição técnica e argumentativa. Tommaso conta com um Willem Dafoe impressionante e a pedir cada vez mais a oportunidade de ser reconhecido pelos seus projetos mais arrojados e o Óscar infelizmente parece sempre distante. Interpretar o seu amigo Abel Ferrara é um passo que Dafoe conseguiu carregar do início ao fim, ainda que o resultado da mente do cineasta e dos seus devaneios criativos não tenham suscitado o envolvimento emocional que era necessário.

A mente de Ferrara é uma que dispara para todo o lado e Tommaso é aquele filme que, embora tenha alguns aspetos bastante bons, é uma mistura incoerente de pensamentos e desejos sem um rumo propriamente seguro de si. Vemos Dafoe a envolver-se com várias mulheres (quase sempre nuas) sem perceber a necessidade; vemo-lo a debater-se contra o vício do álcool nas suas sessões dos Alcoólicos Anóminos e o resultado parece ter sido em vão; percebemos a insegurança de ser casado com uma mulher mais jovem e com muito ainda para viver (nota: a atriz Cristina Chiriac é a esposa atual de Ferrara), mas a conclusão explosiva e tão pouco compreensível torna o filme extremamente incerto e pouco envolvente.

Tommaso Critica de Cinema

Tommaso é um filme que expõe as fantasias mais desinteressantes de uma vida que, honestamente, apenas serve para alimentar um ego do que, de facto, contar uma narrativa com pés e cabeça. Há também a problemática da inclusão de um machismo que não provoca propriamente muito entusiasmo, já que há um desrespeito constante da mulher, sendo retratadas apenas como objetos de fantasia sexual constante. Um exemplo prático disto é o facto de quase todas as mulheres estarem nuas ou seminuas e nunca vemos Dafoe a despir-se enquanto as acaricia ou contempla. É como que se Ferrara estivesse a impingir as culpas das suas frustrações (e tentações) nas mulheres que vão surgindo na tela. Nenhuma personagem para além de Dafoe tem tempo de antena suficiente para ser desenvolvida convenientemente, tornando Tommaso num filme oco e desprovido de sentimento.

Portanto, não tendo um entendimento alargado da carreira de Ferrara, torna-se difícil para um espectador conseguir apreciar um filme que está mais preocupado em mostrar um amigo “na cama” com a esposa e tratar com algum desprezo as suas próprias origens e vivências através de fantasias mundanas e básicas que não conseguem surtir efeito ou empatia perante a personagem principal que, em Tommaso, é o único ponto de foco. Portanto, Tommaso é um filme que não é para todos; controverso e disperso, sem grande emotividade, mas que pode conquistar os fãs do cineasta que já têm algum conhecimento das suas obras.

Tommaso Critica de Cinema

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Título: Tommaso

Título Original: Tommaso

Realização: Abel Ferrara

Elenco: Willem Dafoe, Cristina Chiriac, Anna Ferrara.

Duração: 115 min.

Trailer | Tommaso

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