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Crítica: Santikhiri Sonata (2019)

Santikhiri Sonata Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE SANTIKHIRI SONATA!

Vencedor da Menção Honrosa do Azeméis Film Festival e do DOCLisboa, Santikhiri Sonata é um filme provocador e que não é certamente para qualquer um. É difícil defini-lo enquanto produto artístico, ainda que se consiga reconhecer que a arte está lá. É um filme muito experimental que se centra na pequena aldeia de Santikhiri que faz fronteira entre vários países problemáticos e em constante conflito como a Birmânia, o Myanmar e a Tailândia. Santikhiri tem como tradução “a colina da paz”, que reflete sobre esta ser uma zona neutra nos conflitos e, por assim o ser, o tráfico humano e de droga teve um aumento significativo e que coloca em risco os seus habitantes. Vamos conhecendo os seus habitantes e as suas histórias, bem como somos levados por alguns factos históricos desta cultura pouco conhecida.

Santikhiri Sonata Critica de Cinema

Santikhiri Sonata é um filme híbrido com uma estrutura bizarra e é um filme que, se não nos familiarizarmos um pouco com a sua história (ou pelo menos pesquisar sobre toda esta salgalhada de conflitos) nunca iremos conseguir perceber a sua génese. Tem uma estética interessante, já que Thunska Pansittivorakul, o realizador, quer abranger o máximo de temáticas possível em tão pouco tempo, mas o resultado não é, de todo, algo que a arte necessite neste momento. Há toda uma falta de estrutura que se torna problemática para o envolvimento do espectador com a mesma e a sua narrativa dispersa faz também perder a empatia com as personagens que vão surgindo na câmara.

É também um filme que é provocador sem necessidade muitas vezes, utilizando a pornografia gay explícita como mote para entendermos de onde são provenientes a maioria dos atores pornográficos jovens do país. No entanto, surge de forma descontextualizada e sem uma componente descritiva que o justifique. A verdade é que o filme, embora com uma estética interessante e invulgar, atira-nos para um mundo e uma realidade completamente nova e  da qual é necessário um certo estudo prévio para percebermos de que forma este país chegou à “calamidade” em que se encontra.

Santikhiri Sonata Critica de Cinema

Os regionalismos enriquecem Santikhiri Sonata, uma vez que toda a banda-sonora está recheada de temas locais e extremamente bem adequados aos tempos que correm e da rejeição da americanização global. No entanto, sentimos que estamos a fazer uma sopa em que colocamos os ingredientes e esperamos só até que cozam para dar por terminado. Não há uma lógica precisa em saber aqueles que combinam e aqueles que não. E é aqui que Santikhiri Sonata perde, por ser precisamente ilógico e provocador sem necessidade. Se a intenção do realizador será dar tempo de antena aos habitantes mais jovens e à vivência perigosa do meio onde vivem, então um plano gigantesco (com uma duração verdadeiramente extenuante) de um rio não parece que enveredar por meios históricos seja adequado. É demasiada informação a reter para alguém que não conhece a realidade de Santikhiri.

E, para além deste desequilíbrio de imagens e de objetivos, Santikhiri Sonata carece de profissionalismo na componente sonora, com cortes frequentes de voz e de impercetibilidade muitas das vezes devido ao facto de ser usado equipamento de gravação pouco convincente. Embora tenha alguns artifícios interessantes, este é um filme ambíguo que não irá conquistar muitos por se focar numa temática que foge à nossa compreensão (ainda que nos incentive a ter de fazer esse trabalho de casa, o que é bom), mas, pior do que isso, é não o fazer de forma estrutural e que remove toda a imersão e investimento do espectador a longo prazo.

Santikhiri Sonata Critica de Cinema

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Título: Sonata Tailandesa

Título Original: Santikhiri Sonata

Realização: Thunska Pansittivorakul

Duração: 75 min.

Trailer | Santikhiri Sonata

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