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Crítica: The Boys in the Band (2020)

The Boys in the Band Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE BOYS IN THE BAND!

Ryan Murphy surpreende com uma produção adaptada de uma peça de teatro (de um dos próprios co-autores do argumento do filme) que se foca em sete amigos gays que celebram um aniversário nos anos 60 e onde começam a conversar sobre os problemas que tiveram ao longo das suas vidas. No entanto, um estranho do passado decide bater à porta e decidem jogar um jogo de verdades. The Boys in the Band é uma produção extremamente competente, ainda que peque nalguns aspetos importantes.

The Boys in the Band Critica de Cinema

As prestações são, em geral, brilhantes, com Jim Parsons e Matt Bomer a encantar em todos os seus planos. No entanto, há bastantes personagens que não têm o relevo merecido e outras que não encaixam na fluidez do argumento. Muito ao estilo de Carnage e 12 Angry Men, The Boys in the Band tem um argumento acutilante quando se foca nos problemas que envolvem o estilo de vida homossexual, quer dos anos 60, quer da própria atualidade. A escrita é tão boa que eleva o filme, mesmo onde o argumento consegue pecar. E, apesar de tantos diálogos maravilhosos, The Boys in the Band entra num modo autodestrutivo que não assenta bem na sua génese. É uma dificuldade em manter as personagens na sua zona de conforto que vai serpenteando pelas mesmas e que cai um pouco de “paraquedas”, deixando o público algo perplexo. Esta falta de estudo das personagens, por vezes, leva a que a linearidade de The Boys in the Band seja comprometida sem um motivo aparente.

Por exemplo, a personagem de Zachary Quinto irrompe já numa parte tardia do filme e o seu contexto e a sua persona bizarra não são justificados convenientemente, tendo o seu discurso embelezado por filosofias pouco coerentes e um discurso religioso algo forçado. É também um pouco insultuosa a forma como Charlie Carver é tratado nas suas cenas, sendo ridicularizado e reduzido a “menino prostituto” sem grande cérebro. Se o filme procura ser honesto com a vivência homossexual e de todas as particularidades importantes que levaram a assumir-se ou a contar a sua história, então The Boys in the Band acaba por ser um pouco hipócrita por não tratar as personagens com o mesmo respeito. Há também uns ataques abruptos das personagens que são pouco coerentes dentro da linha de diálogo, especialmente a de Jim Parsons. Mas todos estes deslizes, embora fragilizem o filme a longo prazo, são abafados pela mestria em expor este grupo e os seus amores e desamores com uma ironia natural e com uma mensagem social magnífica.

The Boys in the Band Critica de Cinema

O final é também todo, em si, demasiado em aberto e demasiado contraditório. Sente-se que o filme poderia ir mais além do que realmente foi, ainda que não deixe de ser competente em muitas outras situações. Há toda uma sinceridade na forma como as personagens se expõem, ainda que alguns tenham ficado à deriva. Mas o maior ensinamento de The Boys in the Band está lá, em todo o esplendor, nas entrelinhas. É um filme importante que conta com prestações respeitáveis e uma naturalidade que nos capta, mesmo não sendo uma obra feita para massas. Tem alguns deslizes, mas não deixa de ser um bom filme com uma mensagem importante.

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Título: Os Rapazes do Grupo

Título Original: The Boys in the Band

Realização: Joe Mantello

Elenco: Jim Parsons, Matt Bomer, Zachary Quinto, Andrew Rannells, Charlie Carver, Robin de Jesus, Brian Hutchison, Michael Benjamin Washington, Tuc Watkins.

Duração: 121 min.

Trailer | The Boys in the Band

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