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Crítica: Ava (2020)

Ava Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE AVA!!!

Cada um de nós, numa ou outra ocasião, ouvimos falar de um filme repleto de estrelas bem conhecidas do grande ecrã, com um realizador que já deu provas do seu valor. E acabamos por pensar “bem, este filme pode até ser interessante”… Para depois acabar por se revelar uma tremenda desilusão. Pois bem, esta descrição pode e deve ser usada em Ava, um thriller de espionagem que tinha potencial para ser algo mais, mas que não chega a lado nenhum.

O filme centra-se na titular Ava, uma assassina profissional especializada em “terminar” alvos importantes. Quando uma das suas missões corre mal, Ava não só terá de lutar pela sua sobrevivência, mas também terá de enfrentar os fantasmas do seu passado quando decide passar despercebida na sua cidade natal.

Dizer que Ava é uma das maiores desilusões do ano não faria justiça a esta película. O filme tinha a equipa ideal para, pelo menos, criar um blockbuster que nos pudesse entreter do princípio, seja pelo elenco, pela escolha de realizador, ou mesmo a mente por detrás da banda sonora.

E ainda assim, é Jessica Chastain que acaba por se sobressair neste filme pela positiva. A atriz tem sido sinónimo de trabalho de qualidade mesmo nos filmes mais fracos da sua carreira (na maior parte das vezes, claro). Portanto, embora a sua performance como uma assassina assombrada pelo passado não roça no extraordinário que a atriz já nos habituou no passado, mas é competente o suficiente para carregar o filme nas suas costas.

É uma pena que este seu trabalho seja desperdiçado num filme tão banal como este. Ava brinca com algumas ideias – será um thriller de espionagem? Drama familiar? Uma exploração do submundo criminal de Boston? Um character study? – que trariam um maior benefício se fossem devidamente exploradas num espaço de 90 minutos. No entanto, a narrativa começa a tropeçar em si mesmo com cada nova ideia apresentada, já para não falar do facto de obedecer a alguns clichés do género.

A banda sonora de Bear McCreary também não ajuda a cimentar o filme como um must-see, com alguns sons a remeterem-nos precisamente para aqueles filmes de domingo à tarde que só estão presentes para, no bom português, “encher chouriços”. Outro aspeto negativo do filme encontra-se também nas suas sequências de ação, que já obedecem às normas dos filmes de ação mais fracos do mercado: exagero na edição de imagem, a questão ocasional da péssima iluminação de espaços, e já para não falar de roubar de outros set pieces antigos, mas claramente superiores (há, inclusive, uma cena que me relembra bastante uma das melhores sequências a sair do primeiro John Wick).

Ava tinha potencial para ser um filme de ação, no mínimo, decente. Afinal, tinha uma equipa de peso em seu nome. E embora Chastain saia desta experiência relativamente ilesa, o filme em si é um grande desperdício do nosso tempo.

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Título: Ava

Realização: Tate Taylor

Elenco: Jessica Chastain, John Malkovich, Common, Geena Davis, Colin Farrell

Duração: 96 minutos

Trailer | Ava

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