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Crítica: Blackbird (2019)

Blackbird Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE BLACKBIRD!!!

Atualmente, somos “bombardeados” com ideias sócio-culturais que, ainda hoje, trazem consigo alguma controvérsia junta. Um desses temas é o tema da eutanásia – ou “morte assistida”, como preferirem – que, embora não seja não presente nas conversas atuais, possui alguma controvérsia moral e ética para preencher os jantares em família. Claro que este tema já foi abordado no grande ecrã vezes sem conta, e Blackbird é a mais recente adição à lista.

Baseado no filme dinamarquês de 2014 Silent Heart, Blackbird centra-se em Lily que, após contrair uma doença degenerativa, decide reunir a sua família para um último fim-de-semana antes de prosseguir com a sua morte.

Um dos feitos impressionantes de Blackbird reside no seu elenco. Para um filme com uma escala que nos lembra alguns traços do cinema independente, este conta com um vasto leque de atores que mostram a sua garra do princípio ao fim. Quase todos têm o direito a brilhar e de puxar a brasa à sua sardinha, mas torna-se aparente que há um pequeno leque de atores que se sobressaem, especificamente Susan Sarandon, cujo peso emocional recosta nos seus ombros, mas consegue destacar-se pela positiva.

Outro aspeto positivo do filme reside na sua cinematografia. O filme usa e abusa de planos singulares e de takes mais longos, mas é o que lhe confere um toque mais experimental, além de dar a ideia de os atores estarem a improvisar as suas falas, mas posso estar enganado.

No entanto, Blackbird não é, de todo, um filme perfeito. Com o tema da eutanásia no centro das atenções, esperava-se uma espécie de tratamento mais humano, carinhoso. Infelizmente, o filme decide centrar-se nos conflitos melodramáticos enraizados na fórmula da “família disfuncional”. Ou seja, segredos vêm ao de cima, conflitos interpessoais começam a surgir… Ainda há um ou outro tema sensível que aparece e que traz consigo trabalhos admiráveis dos seus atores, mas no fim e ao cabo, se viram um filme diferente com uma família disfuncional pelo meio, então não encontraram muito material inédito nesta obra.

Blackbird vai de encontro ao “simples e direto”, com um elenco surpreendentemente recheado de estrelas e com algumas performances dignas de reconhecimento, mas no fim, desejava-se por algo mais do que nós, como audiência, recebemos.

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Título: Blackbird

Realização: Roger Michell

Elenco: Mia Wasikowska, Sam Neill, Kate Winslet, Rainn Wilson, Susan Sarandon, Bex Taylor-Klaus, Lindsay Duncan, Anson Boon

Duração: 97 minutos

Trailer | Blackbird

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