Cinema Críticas Uncategorized

Crítica: Chemical Hearts (2020)

Chemical Hearts Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE CHEMICAL HEARTS!!!

Não é primeira, nem será a última vez, que demonstro o meu desagrado perante os filmes românticos estrelados por adolescentes (ou jovens adultos que conseguem fazer-se passar por adolescentes), mas também não escondo algumas surpresas pelo meio. Dito isto, não estava à espera de Chemical Hearts (aliás, a sua estreia na Prime Video passou-me completamente ao lado), mas também posso afirmar que, apesar de alguns toques surpreendentes, o filme deixa a desejar em bastantes aspetos.

Baseado na obra com um título semelhante, Chemical Hearts centra-se em Henry Page, um finalista da secundária que decide tentar algo de novo ao concorrer ao posto de editor-chefe do jornal escolar. E é nesse contexto que Henry trava conhecimento com Grace Town, uma aluna recém-transferida que traz consigo um passado misterioso.

Um dos maiores apelos que podemos encontrar no filme reside no seu duo protagonista, composto pelos atores Austin Abrams (visto recentemente na série Euphoria) e Lili Reinhart. Embora não exibam uma clara ligação logo de imediato, Chemical Hearts oferece-nos uma evolução mais “calma” e com tempo mais que suficiente para desenvolver as suas respetivas personagens. Ambos têm performances decentes, mas nota-se claramente que mesmo o duo está desequilibrado em termos de performances. Abrams faz o melhor que pode com o personagem e material que tem em mãos, mas deixa a desejar quando Reinhart entra em cena. Não só está beneficia de experiência neste género (ela é uma das protagonistas de Riverdale, no fim de contas), mas a sua personagem lida com um arco narrativo difícil de desempenhar e sai a ganhar nesse aspeto.

A história do filme pode parecer familiar, mas Chemical Hearts compensa essa familiaridade através dos seus temas mais pesados. Hoje em dia, os filmes para jovens adultos têm feito justiça ao género através de histórias e temas mais maduros. E este filme lida com ideias sobre luto e depressão que se tornam raros de se ver hoje em dia e que conseguem ser relevantes nos dias modernos. Mais do que justifica o seu R rating, mais pelo conteúdo dessas mensagens do que a linguagem mais crua.

No entanto, não esperem de Chemical Hearts um filme brilhante do panorama do cinema independente. Por mais que tente distanciar-se das armadilhas do género de filmes para jovens adultos, o filme cai nos mesmos problemas que tramam tantos outros. Já para não falar de o filme obedecer a uma estrutura já familiar, no sentido de termos alguns flashbacks de adaptações cinematográficas de autores como Nicholas Sparks ou John Green (este último torna-se mais evidente com o decorrer o filme).

O pior de tudo no filme é na insistência de se centrar na dupla protagonista, enquanto os restantes membros do elenco estão apenas a consumir tempo. Existe a exceção ocasional da irmã de Henry, Sadie (Sarah Jones), mas a grande maioria não passa do cenário. Chemical Hearts tinha potencial para explorar este mundo através de Lola (Kara Young), uma afro-americana lésbica em busca de um amor. Mas esta narrativa tanto apareceu depressa como desapareceu de igual forma.

Chemical Hearts tinha os ingredientes certos para ser um filme verdadeiramente único dentro género, seja pelo seu duo protagonista, com especial destaque para Reinhart, e um tema de conversa que dava pano para mangas. No entanto, cai nas mesmas armadilhas e convenções que assolam este género de filmes em específico.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: A Química dos Corações

Título Original: Chemical Hearts

Realização: Richard Tanne

Elenco: Lili Reinhart, Austin Abrams, Sarah Jones, Adhir Kalyan, Kara Young

Duração: 93 minutos

Trailer | Chemical Hearts

Comments