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Crítica: Enola Holmes (2020)

Enola Holmes Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE ENOLA HOLMES!!!

Independentemente das idades ou das regiões em que se vive, não há nenhum detetive mais icónico do que Sherlock Holmes. O personagem literário de Sir Arthur Conan Doyle povoou imensas aventuras não só nas páginas dos livros, mas também nos vários formatos existentes do entretenimento, com os dois filmes de Guy Ritchie e a homónima série da BBC como os melhores exemplos de um Sherlock com toques mais modernizados. Enola Holmes, o mais recente filme da Netflix, pretende ser algo diferente, mas com resultados mistos pelo caminho.

Tal como o título implica, o filme centra-se em Enola, a irmã mais nova de Sherlock e Mycroft, e que foi criada em segredo pela sua mãe excêntrica. Quando ela desaparece de forma misteriosa, Enola usa as suas capacidades para a tentar encontrar, ao mesmo tempo que se vê envolvida numa conspiração centrada num jovem visconde e a tentar passar a perna aos irmãos.

Logo de imediato, Enola Holmes prova ser distinto de outros títulos centrados nos Holmes. Isso torna-se bastante evidente na palete de cores vibrantes dos cenários passado no campo, em contraste com os tons mais acinzentados de uma Londres durante a Era da Revolução Industrial. A diferença torna-se ainda mais palpável no que toca ao tom do filme em geral. É claramente mais leve e, portanto, não se leva tanto a sério. O filme pretende entreter, acima de tudo, e na maior parte das situações, o filme sai vencedor nesse aspeto.

No entanto, fica mais do que claro que Enola Holmes tem algumas limitações, e há dois aspetos que se tornam bastante evidentes. A narrativa do filme, por exemplo. É simples o suficiente para sabermos o que está a acontecer à nossa volta, mas também tenta conjugar uma quantidade enorme de ideias que tentam lutar pela supremacia e acabam por deixar a desejar. A narrativa ainda conta com algumas surpresas espalhadas de forma generosa, mas não são tão surpreendentes do que se possa imaginar.

Outro aspeto menos espetacular reside no seu tema mais feminista. Atenção, não me entendam de forma errada; colocar uma Holmes no feminino traz consigo uma lufada de ar fresco a uma mitologia que já estamos bem familiarizados. Mas no fim e ao cabo, é um tema que já está mais enraizado na nossa sociedade. O facto de não saber contar algo de novo traz também consigo uma miríade de problemas que Enola Holmes raramente consegue superar.

Felizmente, se há um ponto em que Enola Holmes não desilude, é no seu elenco. E não podia iniciar este ponto sem começar com a protagonista de serviço, Millie Bobby Brown. A atriz tem sido uma verdadeira surpresa desde a sua aparição na série Stranger Things, e essa tendência mantém neste filme, com uma Enola forte de corpo e mente, mas também vulnerável. E surpreendentemente, com um toque de humor à mistura, especialmente nos momentos esporádicos em que esta quebra a quarta barreira e dirige a palavra a nós, a audiência.

Pode ser jovem, mas suplanta o restante elenco, que conta com alguns momentos sonantes, como Sam Claflin como um Mycroft que engloba os traços de uma sociedade já ultrapassada, uma Helena Bonham Carter igualmente excêntrica, mas doce, ou Henry Cavill como Sherlock Holmes (talvez a desilusão do filme).

Enola Holmes tem alguns traços que a tornam distinta, e ter Millie Bobby Brown, uma jovem estrela em ascensão, como protagonista, é uma grande ajuda. No entanto, é um filme que se resume a entreter e pouco mais do que isso.

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Título: Enola Holmes

Realização: Harry Bradbeer

Elenco: Millie Bobby Brown, Henry Cavill, Sam Claflin, Helena Bonham Carter, Louis Partridge

Duração: 123 minutos

Trailer | Enola Holmes

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