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Crítica: Antebellum (2020)

Antebellum Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE ANTEBELLUM!

Janelle Monáe regressa ao grande ecrã com este conto bizarro que atravessa o tempo e nos remonta para a época da escravatura. A autora Veronica Henley encontra-se metida numa realidade assustadora e precisa a todo o custo escapar da mesma. Antebellum é um filme que não é propriamente fácil de digerir e de analisar, já que tem tanta porção de bom quanto de menos bom na sua composição. Há todo um mote criativo, ao passo que também há fragilidades que poderiam ser contornadas.

Antebellum Critica de Cinema

Antebellum centra-se na figura da cantora/ atriz e, embora ela seja a essência do filme, sente-se que a forma como foi aproveitada não foi suficiente para cativar totalmente o espectador. A verdade é que todas as personagens de Antebellum são pobres em desenvolvimento o que, neste estilo de cinema em particular, era essencial para nos fazer estar ainda mais envoltos na narrativa. Há claras surpresas positivas nisto, já que o conceito de Antebellum é extremamente interessante assim que o público começa a entender a génese da sua origem. Muito ao estilo de Get Out ou de Us, Antebellum é um conto sobre racismo que toca na ferida dos EUA e é capaz de gerar ondas de revolta. Talvez por isso a classificação geral do filme tenha sido comprometida por ter estreado precisamente numa época em que as manifestações estão a ficar fora do controlo em terras norte-americanas. No entanto, Antebellum não é mais do que um objeto de entretenimento que, a longo prazo, consegue entregar o que pretende.

Obviamente que a temática não é novidade e, por mais que queiramos elevar o filme a um estatuto superior não conseguimos devido às suas próprias falhas, mas a verdade é que Antebellum tem algumas particularidades fabulosas e surpreendentes. A realização de Gerard Bush e Christopher Renz é bastante competente, mais do que aquilo que era o esperado. Desde uma sequência sem cortes inicial, passando por planos de câmara belos e que ampliam a escala do terror que se segue, até à opção de mexer com a perceção do público relativamente ao fluxo da história (claro que ninguém que se preze irá estar por muito tempo na dúvida do que está a ver). Estas características tornam Antebellum num produto a ter em conta; para além de uma banda-sonora que sabe perfeitamente os momentos certos onde deve irromper.

Antebellum Critica de Cinema

A nível performativo, em geral, todos os atores cumprem as suas funções, ainda que o maior calcanhar de Aquiles do filme seja a fraca e pobre exploração das personagens. Jena Malone, Gabourey Sidibe, Eric Lange, e por aí fora, não conseguem dar ao filme uma estabilidade e camada dramática suficiente para nos fazer estar a torcer/odiar os mesmos. Para além disto, Antebellum cai um pouco dentro das suas próprias ambições e entrega-nos de forma muito fácil a sua resolução. Mas nem tudo é mau, de facto, e Antebellum tem sempre um truque na manga para nos manter cativados, mesmo que seja por breves momentos.

Mesmo não sendo um feito histórico, Antebellum é um thriller competente e um filme que, se tivesse uma génese dramática ainda mais forte e uma atmosfera ainda mais intensa, conseguiria subir ainda mais na escala.

Antebellum Critica de Cinema

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Título: A Escolhida

Título Original: Antebellum

Realização: Gerard Bush & Christopher Renz

Elenco: Janelle Monáe, Jena Malone, Eric Lange, Tongayi Chirisa, Jack Huston, Kiersey Clemons, Gabourey Sidibe.

Duração: 105 min.

Trailer | Antebellum

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