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Crítica: The Devil All the Time (2020)

The Devil All the Time Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE DEVIL ALL THE TIME!

Bem, depois de duas horas e tal de um filme com diferentes variantes, o cérebro ainda não teve tempo para o processar devidamente. Encontramo-nos em Knockemstiff nos anos 60, uma pequena província em Ohio, onde o jovem Arvin Russell desde cedo tem de enfrentar uma dura vida de violência, princípios religiosos extremistas e bastante azar numa vida que poderia ter sido promissora. The Devil All the Time é o novo filme de Antonio Campos e conta com Tom Holland, Robert Pattinson, Bill Skarsgard, Riley Keough, entre muitos outros famosos, no elenco. É um filme difícil de digerir, já que tenta assentar num estilo mosaico onde a história e as personagens convergem até certo ponto.

The Devil All the Time Critica de Cinema

A verdade é que The Devil All the Time será um filme que ora se odeia ora se adora. Na minha humilde e modesta opinião, o filme não é propriamente estável na sua mensagem, mas não deixa de ser algumas características interessantes. Para além das prestações interessantes por parte do elenco (tirando o Pattinson que claramente tem aqui um exagero performativo desnecessário), The Devil All the Time utiliza a religião como motivo para levar as personagens a cometer uma certa violência errática que, de justificado, nada tem. A verdade é que o filme é um “pau de dois bicos” já que tanto é explícito como não é em entregar-nos as suas intenções. Mas, se tentarmos pensar em The Devil All the Time como uma película que procura promover a violência sem grande charme ou carisma, então a experiência não irá ser assim tão gratificante; também não ajuda nada o cliché de “justiça pelas próprias mãos” que torna o filme ainda mais banal e comum. Mas talvez se pensarmos em The Devil All the Time como um abrir de olhos à maneira como a sociedade é influenciável pelos valores abstratos e pela masculinidade tóxica, então aqui já se tem algo a reter.

A violência de The Devil All the Time, baseado na obra de Donald Ray Pollock (que também serve de narrador do filme), acaba por ilustrar que há certos problemas que se passam de geração em geração e que, por esta altura, deveriam estar extintos. Nem todas as personagens têm a mesma dimensão e o filme é tão desnecessariamente longo que se torna aborrecido e descredibiliza as mesmas, tornando-as pouco impactantes ao longo das 2h e tal de filme. Sente-se que, embora queira parecer estiloso e invulgar, The Devil All the Time não consegue abarcar a quantidade de personagens que tem e fazer totalmente sentido as ligações entre si. É um pouco atabalhoado nesse sentido, para além de que, por muito que o elenco, em geral, seja competente, não o consegue elevar ao estatuto que o mesmo pretende.

The Devil All the Time Critica de Cinema
The Devil All The Time (L-R) Bill Skarsgård as Willard Russell, Michael Banks Repeta as Arvin Russell (9 Years Old). Photo Cr. Glen Wilson/Netflix © 2020

O conceito de fábula narrada, como se The Devil All the Time se tratasse de um ensinamento bíblico acaba também por ser uma desvantagem, já que parece estar a promover determinados atos de violência sem contexto ou propósito. Não quero dizer que tudo seja mau… porque, de facto, não é. Mas é um tiro que saiu ao lado do cineasta que procura desalmadamente marcar pela diferença mas não consegue. Portanto, The Devil All the Time é um filme pobre em muita coisa e será facilmente esquecível, ainda que seja uma boa rampa de lançamento para Tom Holland se dedicar a outros papéis de génese mais dramática.

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Título: Sempre o Diabo

Título Original: The Devil All the Time

Realização: Antonio Campos

Elenco: Tom Holland, Robert Pattinson, Bill Skarsgard, Haley Bennett, Riley Keough, Harry Melling, Sebastian Stan, Mia Wasikowska, Eliza Scanlen, Jason Clarke, Douglas Hodges.

Duração: 138 min.

Trailer | The Devil All the Time

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