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Crítica: Before Sunset (2004)

Before Sunset Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BEFORE SUNSET!

Jesse e Céline voltam a reencontrar-se 9 anos depois da sua noite em Viena. Jesse está no último local da sua tour promocional do livro que escreveu em Paris e Céline faz-lhe uma visita e as emoções continuam a florescer entre ambos. Num ato de coragem, Richard Linklater volta a apostar numa sequela magnífica do seu clássico, e há uma evolução maravilhosa na maturação dos diálogos, das personagens e das suas interações.

Before Sunset Critica de Cinema

Before Sunset é o segundo capítulo desta saga que tem provado ser maior do que a soma das suas partes. É um filme que nunca perde charme ou carisma, respeitando o original, e continua a progredir imenso na forma como coloca os dois atores a questionar-se sobre o que passaram em Viena e de que forma é esta relação um produto de amor puro. A verdade é que Before Sunset eleva a fasquia, conseguindo superar a mentalidade mais jovem que, no seu antecedente era mais notório. Havia aventura, uma particular impulsividade derivada das hormonas da idade e que, em Before Sunset, começa a crescer e a desenvolver-se para um sentimento mais ambíguo e o pesar das vidas começa a surtir efeito nas emoções dos protagonistas.

A verdade é que Jesse e Céline têm uma química inigualável e o receio de estarem a tomar decisões precipitadas com base num acontecimento breve em Viena fá-los questionar a sua relação constantemente. Isto é incrivelmente semelhante com a vida real, já que muitas vezes refletimos sobre relações passadas e nos perguntamos: “e se isto não tivesse acontecido?”. Há também aquele fator importante de não querer arriscar com base no medo e, em Before Sunset, o espectador tem noção de que os protagonistas estão a perder tempo em não aceitarem a sua condição. O amor é imprevisível, recheado de entraves, e impossível de controlar pela mente. Saltitamos constantemente nas nossas cabeças (isto mais na fase adulta que noutra qualquer) e criamos receios de que o que estamos a viver é algo fortuito, pouco pensado. Mas a verdade, o amor é o quê? É aquele sentimento que, por ser tão transparente, puro e genuíno, nos impede sempre de esquecer quem verdadeiramente amamos. É aquele que temos medo de aceitar quando ele está patente nos nossos olhos, no nosso rosto, nas nossas atitudes.

Before Sunset Critica de Cinema

O amor de Jesse e Céline pode não ser perfeito, mas é um que transborda de emoção e que os espectadores sentem nas belíssimas interpretações de Ethan Hawke e Julie Delpy. A vida é injusta muitas vezes e oportunidades são desperdiçadas em não assumirmos os sentimentos que temos e Before Sunset trata esta questão com uma maturidade fora do vulgar. Nunca é demasiado direto, nem demasiado indireto. Há toda uma ponderação dos diálogos ao mesmo tempo que há um descair de olhares que atingem o coração diretamente das personagens. Este é o amor: inconstante, instável, receoso, mas ao mesmo tempo, em pequenos gestos, é genuíno, belo e quente.

Before Sunset é um capítulo magnífico desta trilogia de Richard Linklater e um que continua a provar que, quem se ama, volta a reencontrar-se mais tarde. E não digo isto com a cheesiness dos dias que correm que, tal como a crítica a Before Sunrise, faço uma observação de que esta trilogia é um hino ao sentimento amoroso da forma mais pura que existe. Qualquer um de nós identificar-se-á com Jesse e Céline. Qualquer um de nós tem ou teve uma dificuldade a este nível em que sentimos que desperdiçámos uma oportunidade. 9 anos e Jesse e Céline estão destinados. As conclusões sobram para nós tirarmos… mal posso esperar pelo terceiro filme.

Before Sunset Critica de Cinema

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Título: Antes do Anoitecer

Título Original: Before Sunset

Realização: Richard Linklater

Elenco: Ethan Hawke, Julie Delpy.

Duração: 80 min.

Trailer | Before Sunset

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