Cinema Críticas

Crítica: Endless (2020)

Endless Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE ENDLESS!

O romance tem sido um género banalizado na comunidade de Hollywood. O repescar de lágrimas fáceis com base em tragédias é o veículo mais básico e fácil de conseguir manipular o espectador para uma história que é já repetitiva até à exaustão. O mais recente caso é Endless, que conta a história de Riley e Chris, um casal de adolescentes apaixonadíssimos que, num dia, têm um acidente e, enquanto Riley fica hospitalizada, Chris fica preso no limbo e não consegue comunicar com as pessoas que ainda estão vivas.

Endless Critica de Cinema

Num misto de recuperar a essência de Ghost e querer desalmadamente ser inteligente como um Your Name, Endless é um falhanço total que exagera no melodrama e, em vez de se tornar querido e tocante, não parece mais do que uma mensagem bem escrita no whatsapp. Ainda que haja um esforço por parte da protagonista Alexandra Shipp, Endless é tão exageradamente dramático e ligado a dilemas amorosos adolescentes que os espectadores logo percebem que estão numa nova versão de um romance banalíssimo saído da mente de Nicholas Sparks.

Mesmo que o romance seja um género que venda, não significa que a qualidade esteja do seu lado. Basta vermos casos como os de Twilight, Fifty Shades of Grey ou o mais recente After. Todos têm um único objetivo e a desilusão é mais que óbvia. Monetizar o romance em prol de umas lágrimas de crocodilo, utilizando o mesmo mecanismo que é apelar ao aspeto melodramático para conduzir o veículo emocional. Um filme não pode – nem deve – apoiar-se inteiramente na sua componente emocional e, mesmo que o faça, deve fazê-lo rompendo os clichés mais comuns. Endless é tudo menos isto. É uma colmatação de tudo o que é negativo neste género cinematográfico, sem se preocupar se os espectadores estão a “gramar” com o ridículo da sua situação, muito menos está pronto para ser tocante quando coloca a protagonista num estado de loucura insuportável.

Endless Critica de Cinema

A verdade é que todos nós já passámos pela adolescência e todos conhecemos o que se chama de “desgosto amoroso”. Também conhecemos perfeitamente o que o cinema ofereceu até hoje, não fosse Nicholas Sparks uma máquina de fazer dinheiro em Hollywood. Também sabemos o que é sentir na pele as emoções nas personagens, mas em Endless tudo é tão plástico e falso quanto a peruca que Famke Janssen usa durante o filme. Se a tentativa é criar um novo franchise ou trilogia ou o que seja a partir disto, então fiquem a saber que Endless é, de facto, uma dor de cabeça interminável ou, como costumo dizer, uma freima.

Revolta-me esta insistência em agradar a um público que mal conhece o amor e mal sabe em que parte da vida se insere. Vivam a adolescência sem melodramas porque eles irão consumir-vos até à exaustão e, especialmente, até atingirem a idade adulta. Se querem romances que possam minimamente fazer-vos crescer, então dediquem-se a algo mais inteligente como Eternal Sunshine of the Spotless Mind ou Blue Valentine. Têm também imensos filmes que caem no cliché mas que não deixam de ser bonitos na sua composição… mas afastem-se deste e dos restantes que mencionei antes deste parágrafo, porque isso só vos ilude na vossa vida e só procura arrancar o dinheiro das vossas carteiras.

Endless Critica de Cinema

Leiam outras Críticas aqui.

Título: Interminável

Título Original: Endless

Realização: Scott Speer

Elenco: Alexandra Shipp, Nicholas Hamilton, Famke Janssen, DeRon Horton, Aaron Pearl.

Duração: 95 min.

Trailer | Endless

Comments