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Crítica: Blood Quantum (2019)

Blood Quantum Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BLOOD QUANTUM!

Os zombies estão de volta ao cinema, nesta produção canadiana, que se foca numa comunidade indígena remota do Canadá que começa a ter os seus mortos misteriosamente ressuscitados, mas que, de alguma forma, são imunes à transformação. Blood Quantum é um filme que tem alguns aspetos muito interessantes, mas a sua falta de criatividade na utilização de zombies forçam-no a ser apenas mais um filme como todos os outros do género.

Blood Quantum Critica de Cinema

Com um elenco maioritariamente indígena, Blood Quantum tenta-se destacar dos demais filmes de zombies que já estamos mais-que-fartos de ver. No entanto, as prestações são muitas vezes débeis e não criam envolvimento dramático suficiente para que os espectadores sintam empatia com a perda das personagens. Mesmo tendo uma componente técnica interessante e um trabalho dinâmico de câmara, Blood Quantum procura esconder nas suas entrelinhas uma mensagem sobre o colonialismo e a opressão do povo indígena que acaba por ser a ideia principal da narrativa a certo ponto. Mesmo não conseguindo manter-se estável ou de criar uma mensagem que seja muito óbvia, e muito se devem aos diálogos extremamente dúbios, Blood Quantum consegue melhorar o conceito dos mortos-vivos.

O trabalho de maquilhagem é admirável, e as sequências gore são competentes. O maior problema é que a temática dos zombies age como um mecanismo de veículo social que, sejamos sinceros, não é lá muito credível. A verdade é que usufruir do terror “desmiolado” para fazer chegar uma mensagem subliminar não tem força suficiente para nos fazer pensar devidamente sobre o assunto que, de alguma forma, o filme tenta fazer.

Blood Quantum Critica de Cinema

Ao contrário de Kingdom, que utiliza habilmente os zombies como a queda de um império, Blood Quantum é um filme demasiado curto para nos fazer entender as consequências e a quantidade de devastação que esta misteriosa doença tem na humanidade. Já para não falar pela ausência de uma explicação plausível do acontecimento. A questão do povo indígena não ser contaminado pelo vírus torna-se ainda mais esquisita e mais enigmática quando não há alicerces argumentativos que revelem a sua razão de ser, levando o filme a cair numa mediocridade extrema.

Portanto, Blood Quantum é um filme que tem uma tecnicidade interessante, mas que não passa disso e mais vale reverem-se os clássicos de George A. Romero do que dar uma oportunidade a um filme que procura desalmadamente marcar pela diferença, mas que a longo prazo não consegue.

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Título: Blood Quantum

Título Original: Blood Quantum

Realização: Jeff Barnaby

Elenco: Michael Greyeyes, Elle-Máijá Tailfeathers, Forrest Goodluck, Kiowa Gordon.

Duração: 98 min.

Trailer | Blood Quantum

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