Mini-Reviews TV TV

Stargirl – Season Finale – 1ª Temporada

Stargirl season finale

PODE CONTER SPOILERS DE STARGIRL!!!

Um dos grandes problemas das séries modernas de super-heróis é que estes parecem estar mais direcionados para uma camada mais infanto-juvenil, apesar de contar com personagens mais adultas. Daí uma questão pertinente: “e se se colocasse uma super-heroína adolescente como protagonista?” Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu com a nova aposta da DC Universe, Stargirl!

Criado por Geoff Johns em cooperação com Greg Berlanti, Stargirl centra-se em Courtney Whitmore (Brec Bassinger), uma jovem que troca a Califórnia pela pequena cidade de Blue Valley, Nevada, com a sua mãe, Barbara (Amy Smart), o seu padrasto Pat (Luke Wilson) e o seu meio-irmão Mike (Trae Romano). Quando descobre um misterioso Bastão Cósmico, Courtney não só terá de lidar com a ligação entre Pat e a extinta Sociedade da Justiça da América, mas também se vê atirada num conflito com a Sociedade da Injustiça da América, que tem planos nefastos para a pacífica Blue Valley.

O MELHOR:

Devo confessar logo de imediato que estava à espera de menos de Stargirl. Tendo dito isto, a nova série da DC Universe acabou por ser melhor do que pensava!

É interessante como esta nova série conseguiu dar a volta a alguns dos clássicos tropes a que nos habituámos ao longo dos anos graças à The CW. Se Arrow e The Flash possuíam daddy e mommy issues, respetivamente, para dar e vender, Stargirl conseguiu evitar essas armadilhas do costume e tenta, também, introduzir algo de novo.

Neste caso em particular, temos a relação entre Courtney e Pat, que não começa da melhor forma possível – com Pat a tentar investir nos afetos da enteada, e Courtney a ignorá-lo (na melhor das hipóteses) – mas que gradualmente vai mostrando sinais de uma clara evolução. Bassinger e Wilson demonstram-se levemente competentes quando colocados nos seus momentos privados, mas a série encontra um lado mais “mágico” quando começa a investir na dupla.

Como já também se torna “obrigatório” neste tipo de séries, Stargirl também marca o nascimento de uma nova JSA, e na sua grande maioria, os novos membros também conseguem mostrar uma maior confiança nas suas forças. Temos Yolanda (Yvette Monreal), uma jovem latina que se torna na nova Wildcat para se redimir de um ato que a perturba; Beth (Anjelika Washington), que encontra o seu primeiro verdadeiro amigo na forma de “Chuck” (Henry Thomas), a IA que habita os óculos que pertenciam anteriormente a Dr. Mid-Nite; e Rick (Cameron Gellman), que se torna no novo Hourman para se vingar da morte dos seus pais. São pequenos detalhes que tornam estes protagonistas diferentes do que estamos habituados a ver no ecrã.

O mais intrigante é que o mesmo carinho e atenção dados aos heróis, os vilões da trama também o recebem. E enquanto alguns deles se revelam como vilões de 2ª categoria sem terem uma decência de evolução, a verdade é que alguns deles conseguem ser divertidos o suficiente. Pelo meio, ainda somos brindados a outras presenças. Por exemplo, Brainwave (Christopher James Baker) pode muito bem ser visto como uma das verdadeiras ameaças de Stargirl, enquanto Icicle (Neil Jackson) preenche o ecrã com os seus atos vilanescos, mas com as melhores intenções da humanidade em mente (pelo menos, nas suas palavras). Mas existe algo de trágico com Cindy (Meg DeLacy), que poderia muito bem preencher apenas aquele papel de Billy escolar que vemos tantas vezes nas teen rom-coms, mas possui uma história que nos dá pena.

Em termos visuais, torna-se mais que aparente que Stargirl se encontra em superioridade em vários campos. Os efeitos visuais podem deixar a desejar de momentos a momentos, mas consegue notar-se numa qualidade inerente. Isso também pode ser visto na escolha de guarda-roupa que, embora um tanto ou quanto parvo, consegue ser bastante fidedigno ao material de origem. E isto sem falar das sequências de ação, que também estão muito bem coreografadas e que nos deixam presos ao ecrã de fio a pavio.

O PIOR:

Infelizmente, há vários elementos que não funcionam tão bem como desejaríamos.

E um dos maiores problemas da série reside, ironicamente, em Brec Bassinger. Não me entendam de forma errada, a atriz possui alguns bons momentos e, entre o episódio de estreia até ao final da temporada, esta melhora consideravelmente. No entanto, para chegarmos a este ponto, foi preciso aguentar a “fase aborrecida”, em que só repetia as mesmas ideias uma e outra e outra vez e cujas ações não a pintavam da melhor forma imaginável. Mas como tinha dito, esta acaba por melhor perto do encerrar da temporada.

Mas esta não é a única transgressora da temporada. Stargirl possui, à sua disposição, um vasto leque de personagens que podiam demonstrar um maior desenvolvimento, mas que, por falta de tempo ou de material como deve ser, ficaram aquém do desejado e acabávamos por nos perguntar qual seria o seu propósito no panorama geral.

Um dos outros problemas de Stargirl reside na forma como desperdiça uma oportunidade de ouro para se desmarcar dos demais: a vida escolar. A meu ver, os filmes mais recentes de Spider-Man funcionaram bem porque mostraram a dualidade do protagonista como estudante e como herói. É uma fórmula antiga, mas que surta resultados, e é uma pena a série não tomar esta mesma abordagem de forma mais vincada.

As falhas de Stargirl tornam-na difícil de acompanhar de forma fidedigna. No entanto, no momento em que dizemos a nós mesmo para ignorar esses mesmos problemas temporariamente, acabamos por receber uma série da DC diferente do que estamos habituados.

Entretanto, a série já foi renovada para uma segunda temporada, desta vez migrando por completo para a The CW.

Podem ler as nossas Mini-Reviews aqui.

Estado da série: RENOVADA

0 66 100 1

66%
Average Rating

Stargirl pode ser uma série diferente da DC, mas os seus problemas constantes acabam por não trazer o seu potencial ao de cima.

  • 66%

Comments