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Crítica: She Dies Tomorrow (2020)

She Dies Tomorrow Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE SHE DIES TOMORROW!

A pandemia de COVID-19 está a dar origem a alguns filmes bizarros e que, de alguma forma, procuram metaforizar o estado de medo e paranóia que se vive hoje em dia. She Dies Tomorrow é um desses casos e um que é particularmente difícil de definir e digerir. Amy é uma jovem que está constantemente a dizer que vai morrer amanhã, até que de alguma forma sinistra, este pensamento começa a alastrar-se pelas pessoas com quem interage, dando origem a acontecimentos estranhos e influenciando todos a terem atitudes pouco convencionais.

She Dies Tomorrow Critica de Cinema

She Dies Tomorrow chega pela mente de Amy Seimetz e é um filme que, ora se vai amar, ora odiar. Há muita coisa que funciona bem nele, mas também há demasiado por responder que faz com que o filme, na minha modesta opinião, não seja nem um fiasco, nem uma obra-prima. Com prestações incrivelmente fabulosas, especialmente de Kate Lyn Sheil e Jane Adams, She Dies Tomorrow tem uma mensagem direta e uma apresentação artística interessante, utilizando os tons néon para refletir o estado de espírito das personagens. Através das prestações, é notório o esforço de colocar a ansiedade e a paranóia no foco único dos intervenientes, não permitindo que o filme fuja noutras direções. Como lidamos nós com estes problemas? A verdade é que me consigo rever em muitas das imagens de She Dies Tomorrow, especialmente quando a ansiedade é retratada.

Apesar de ser uma ideia algo extravagante e bizarra, She Dies Tomorrow consegue manter-se consistente na sua abordagem, ainda que peque por não se justificar convenientemente. Seimetz aposta imenso no trabalho dos atores, que são literalmente o melhor que o filme consegue trazer para tornar a ideia bastante credível. No entanto, tudo é bastante difícil de perceber; não há uma explicação para a necessidade deste pensamento mortífero estar a contagiar os seres humanos que vão aparecendo. Obviamente que percebemos que, neste contexto de pandemia, a doença mental pode matar tanto quanto o vírus que serpenteia lá fora, mas para o filme ter um impacto maior, necessita de expor uma justificação plausível para o fazer.

She Dies Tomorrow Critica de Cinema

Se houvesse um pouco mais de cuidado em explicar a razão, She Dies Tomorrow poderia ser um filme extremamente bom, especialmente porque os recursos que utiliza para criar a intensidade no espectador estão lá. Flashes de luzes de diferentes cores, com olhos lacrimejantes e contrações nervosas, seguidos de comportamentos erráticos e imprevisíveis, tornam a premissa apetecível mas, a longo prazo, vai-se desvanecendo pela falta de uma justificação. Portanto, mesmo não sendo um filme linear, She Dies Tomorrow fica-se por ser uma abordagem interessante sobre ansiedade e paranóia em que o contexto em que surge no nosso meio atual sobressai mais do que no contexto do próprio filme. Isto pode ser interessante, mas revela uma certa preguiça argumentativa.

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Título: Ela Morre Amanhã

Título Original: She Dies Tomorrow

Realização: Amy Seimetz

Elenco: Kate Lyn Sheil, Jane Adams, Katie Aselton, Chris Messina, Tunde Adebimpe, Jennifer Kim, Kentucker Audley, Olivia Taylor Dudley, Josh Lucas, Michelle Rodriguez, Adam Wingard.

Duração: 85 min.

Trailer | She Dies Tomorrow

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