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Perry Mason – Season Finale – 1ª Temporada

Perry Mason season finale

PODE CONTER SPOILERS DE PERRY MASON!!!

2020 pode estar a ser uma desilusão em vários, mas pelo tem-nos oferecido alguns projetos que consegue manter-nos colados ao ecrã. Um desses projetos é este Perry Mason, uma série limitada da HBO produzido por Robert Downey Jr. e pela sua mulher, centrado numa personagem ficcional da era dourada da literatura e do cinema.

Nesta série, Perry (Matthew Rhys) é um detetive privado com um dom especial de se meter nos mais variados sarilhos e de afastar todos aqueles que lhe querem bem. A sua vida sofre uma reviravolta quando se vê embrenhado num homicídio medonho, o que faz com que este entre em contacto com um culto religioso, polícias corruptos e figuras que procuram fama e poder com a situação em mãos.

O MELHOR:

Duas palavras: Matthew. Rhys!

Este é um ator que foi visto recentemente na série The Americans. No entanto, e apesar de imensas oportunidades, acabou por ser um dos atores mais subvalorizados desta geração. Pois bem, pode-se dizer que colocá-lo como protagonista de Perry Mason foi uma jogada de génio!

Em vez de nos mostrar Perry como o advogado já conhecido da grande tela e dos livros, a série opta por mostrar-nos um personagem danificado, que esconde a sua inteligência atrás de uma máscara de vícios e de algum escárnio. É nesses momentos que Rhys consegue ofuscar os demais, não só traduzindo bem a sua raiva inerente, mas também consegue vender a sua tristeza subtil. Se não eram fãs do ator antes, Perry Mason dá-nos argumentos de pesa para vermos os seus trabalhos anteriores e criar expectativas do que ele poderá oferecer no futuro.

Mas não é apenas em Perry que a série toma o seu centro, uma vez que conta também com um elenco recheado de caras conhecidas do cinema e da televisão em performances competentes com o material em mãos. Menção para Della Street (Juliet Rylance), que se revela como uma aliada de peso para Perry durante a segunda metade da temporada; EB Jonathan (John Lithgow), um advogado nos seus twilight years e que funciona como “mentor” de Perry em mais do que uma ocasião; Pete Strickland (Shea Whigham), parceiro de Perry durante os seus tempos como detetive privado; e, claro está, Alice McKeenan (Tatiana Maslany), a líder de um culto religioso que tem um especial interesse no caso em mãos. Estes são apenas alguns dos melhores exemplos que Perry Mason nos mostrou nesta sua primeira temporada.

Honestamente, localizar a ação em Los Angeles em plena Era da Proibição pode ser um elemento um tanto ou quanto batido (especialmente quando comparado com tantas outras séries que exploram este local e tempo), mas Perry Mason aproveita esta oportunidade para nos catapultar numa verdadeira viagem no tempo. Não só em termos de estética e visual (até os créditos iniciais de cada episódio lembram-nos os velhinhos filmes das décadas de 30 e 40), mas também na forma como aproveita este tempo e explora alguns temas que ainda hoje causam ressonância. Através de Perry, somos subjugados a vários momentos como a corrupção na força policial, mas também em pleno tribunal e também serve como crítica à religião e à sua presença em casos um tanto ou quanto mediáticos. Por outro lado, Perry Mason explora também o racismo através de Paul Drake (Chris Chalk), o único polícia de cor que se vê confrontado com uma esquadra que lhe olha com desdém e uma sociedade que exibe tolerância zero nos mais pequenos momentos.

Mesmo se a perspetiva histórico não for do vosso gosto, Perry Mason compensa com uma narrativa criminal que, apesar de ser familiar para alguns, não deixa de entreter entre alguns twists inteligentes e que obrigará a uma segunda visualização para vermos se demos por falta de uma pista fulcral.

O PIOR:

Infelizmente, Perry Mason também exibe algumas oportunidades não aproveitadas.

De uma forma geral, a série exibe uma (des)construção eficaz de alguns dos seus personagens. Infelizmente, parece que este trabalho de desenvolvimento foi focado apenas nos “heróis” da trama, enquanto os “maus da fita” não passam disso, com motivações ténues, na melhor das hipóteses.

E tal como tinha mencionado, uma boa porção do subplot foi aproveitado para explorar o racismo na América nos anos 30. Perry Mason também mostrou indícios de outros temas sociais relevantes para os dias de hoje, tais como a presença da comunidade LGBTQ ou da imigração ilegal. Infelizmente, com tantos eventos a desenrolarem, estes dois potenciais temas simplesmente ficaram em banho-maria.

Apesar destas falhas, Perry Mason não deixa de ser uma das poucas surpresas que 2020 nos tem para oferecer, seja pela sua atenção ao detalhe, uma narrativa que nos deixa agarrados ao ecrã e performances poderosas de alguns conhecidos da indústria, especialmente Matthew Rhys.

E numa surpresa (que só pode ser um sinal de fé), a série já conta com uma renovação para uma segunda temporada. Resta esperar para ver aonde é que a HBO pretende levar o personagem a partir daqui.

Podem ler outras das nossas Mini-Reviews aqui.

Estado da série: RENOVADA

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82%
Average Rating

Matthew Rhys está de regresso ao pequeno ecrã com Perry Mason, a nova série da HBO que, apesar de algumas imperfeições, consegue entreter e chocar em doses generosas.

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