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Crítica: Yes, God, Yes (2019)

Yes, God, Yes Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE YES, GOD, YES!!!

Alice é uma jovem estudante numa escola católica no início do milénio. Desde sempre devota à parócia local, Alice nunca teve intenções de se envolver em cenas de cariz sexual, crendo que tais pensamentos a levariam ao Inferno. Tudo muda quando, numa conversa pela AOL, Alice descobre o ato de masturbação, o que coloca a sua perspetiva sobre a sua sexualidade e da sua posição em relação à sua religião.

Esta é a premissa-base deste Yes, God, Yes, que serve de adaptação da curta-metragem de 2017 do mesmo nome e da mesma equipa técnica, e pode muito bem ser uma das apostas mais leves que 2020 pode ter à sua disponibilidade no que refere aos adolescentes e à sexualidade.

Verdade seja dita, o tema da sexualidade na camada juvenil não é propriamente algo inédito nesta indústria. Enquanto a maioria dos filmes e séries aposta numa abordagem mais “agressiva” (basta pensar nos filmes da saga American Pie, por exemplo), existem outros que tomam uma abordagem mais simples, mas não menos eficaz. Yes, God, Yes (tanto a curta como a longa-metragem) é claramente o segundo caso. Com Alice no centro das atenções, podemos testemunhar a dicotomia entre a religião e os prazeres da carne e como estes dois mundos podem causar um certo conflito interno.

Uma das vantagens que esta expansão trouxe em relação à curta encontra-se na expansão do seu alcance. Temos direito a ver a perspetiva de Alice sobre estas temáticas, mas também dos seus colegas e do corpo docente sobre estas ideias. E também a algumas das hipocrisias que, no fim e ao cabo, não se tornam surpreendentes. Estranhei a duração relativamente curta para uma longa metragem – só passa pouco dos 60 minutos e não chega aos 90 minutos comuns – mas o filme, realizado e escrito com um claro clarinho por Karen Maine, avança com o seu próprio ritmo calmo, permitindo-nos digerir o que estamos a testemunhar. Em tão pouco tempo, surpreende pelo facto de fazer tanto com tão pouco.

Natalia Dyer já deu provas mais do que suficientes pelo seu trabalho na série Stranger Things, mas o seu trabalho nesta comédia mostra que a jovem atriz possui um potencial para singrar no grande ecrã, além de carregar praticamente o filme inteiro nos seus ombros. Existem outros membros do elenco, claro, mas não se compara com a forma subtil que Dyer mostra as suas emoções como Alice.

Ajuda que Yes, God, Yes, num aspeto mais técnico, usufrua o máximo que pode com os recursos que tem à sua disposição. Pode não ter a carga visual que podemos esperar de outros trabalhos YA dos estúdios, mas existe uma beleza na simplicidade das sequências que só poderíamos encontrar num filme independente como este.

Misturar religião com sexo pode tirar a vontade de ver Yes, God, Yes a algumas pessoas, especialmente se estiverem enraizadas no Catolicismo. Mas, se derem uma oportunidade ao filme, podem encontrar aqui uma pérola que, apesar de poder passar despercebida, trará um bom pedaço de tempo a quem tiver a coragem de testemunhar esta história.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Yes, God, Yes
Realização: Karen Maine
Elenco: Natalia Dyer, Susan Blackwell, Alisha Boe, Donna Lynne Chapman, Timothy Simons
Duração: 78 minutos

Trailer | Yes, God, Yes

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