Cinema Críticas

Crítica: Radioactive (2019)

Radioactive Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE RADIOACTIVE!!!

Em anos recentes, temos vindo a testemunhar alguns biopics centrados em alguns nomes mais conceituados no mundo da ciência e os seus feitos cujo impacto ainda se faz sentir nos dias de hoje (para o bem ou para o mal). Pois bem, agora é a vez de a vida de Marie Curie ter o merecido destaque no grande ecrã, com este Radioactive.

Baseado na graphic novel do mesmo nome, Radioactive segue a história de Marie Curie, desde o seu primeiro contacto com o seu primeiro marido (uma grande influência na sua carreira profissional) até à descoberta da radiação, culminando na sua morte em 1934.

Radioactive conta em Rosamund Pike como um dos seus maiores trunfos do filme, e não é difícil de perceber porquê. Fora alguns registos fotográficos e algumas notas, não há muito que saibamos sobre esta cientista pioneira (foi uma das primeiras mulheres na área das ciências a receber um Prémio Nobel). Portanto, Pike soube pegar no pouco que tinha em mãos e expandiu os seus horizontes. Não nos oferece uma visão de Curie perfeita, nem o tenta fazer. A atriz consegue transpôr a mente brilhante da sua personagem, mas também mostra alguns traços menos bons da sua personalidade. Pode não ser um dos trabalhos mais exigentes da atriz, mas merece todo o reconhecimento e carinho possíveis.

O filme não se limita apenas à descobertas dos elementos radioativos que lhe valeram o Prémio Nobel, uma vez que também mostra o legado que Curie deixou para as novas gerações, jogando com o nosso conhecimento geral das ciências. Concede um resultado agridoce ao reconhecer-mos que as suas descobertas trouxeram tanto de bom (como os raios-X ou o uso de radiação como forma de tratamento contra o cancro) como de horrível (no caso da bomba atómica).

Radioactive pode contar com uma performance de renome para Rosamund Pike, e tem algumas ideias interessantes a seu favor, mas no final do dia, é apenas mais um biopic. Não há muito que a equipa técnica possa fazer para se poder diferenciar da concorrência e de outros géneros. Acompanhamos os seus feitos e a sua personalidade até ao fim da sua vida, mas já há tantos outros biopics que seguiram essa fórmula com resultados bem diferentes. Já vimos biopics de mulheres a tentarem singrar num mundo dominado pelo homem em lugares de poder. Já vimos a diferença que um(a) imigrante pode fazer junto de um sistema político e social em outros filmes diferentes. Por outras palavras, Radioactive não é verdadeiramente único.

A narrativa do filme também não abona a seu favor. Com uma duração de 100 minutos, ficamos com a sensação que Radioactive tinha muito mais para contar. Alguns momentos iniciais tornam-se desagradáveis por causa do ritmo demasiado acelerado em alguns momentos cruciais da vida de Marie, enquanto desacelera de repente quando somos apresentados a momentos que só desejaríamos fazer “Skip”. E isto sem mencionar os flashforwards, que só mostram o impacto das descobertas de Curie e pouco mais.

Radioactive pode e deve ser visto como uma forma de honrar a memória de Marie Curie, já para não falar da performance de Rosamund Pike. Mas como biopic, pouco ou nada faz para se fazer sobressair da concorrência.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Radioactive

Realização: Marjane Satrapi

Elenco: Rosamund Pike, Sam Riley, Simon Russell Beale, Sian Brooke, Anya Taylor-Joy

Duração: 109 minutos

Trailer | Radioactive

Comments