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Crítica: The Painted Bird (2019)

The Painted Bird Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE PAINTED BIRD!

Polémico, lascivo, irreverente, ousado. The Painted Bird é um dos filmes mais visceralmente provocadores deste século, onde a arte colide com a tortura e a violência e nos deixa revoltados a cada momento da sua evolução. Joska é um jovem judeu que, ao tentar escapar da guerra, vai encontrando uma panóplia de personagens bizarras que vão moldando o seu futuro e a sua vida. A premissa, como podem ler, é extremamente simples. The Painted Bird é um relato capitulado da vida deste rapaz durante uma época difícil e árdua. Mas este não é um filme, de todo, simples.

The Painted Bird Critica de Cinema

The Painted Bird é uma película extremamente difícil de digerir. Não só porque é polémica na sua abordagem violenta (apesar do preto e branco ajudar imenso a não causar um impacto tão agressivo no espectador), como também possui uma intensidade dramática fora do vulgar. O filme é falado numa língua especial, uma mistura de checo-eslovaco e polaco, e conta com atores internacionalmente conhecidos como Harvey Keitel, Stellan Skarsgård, Udo Kier, Barry Pepper e Julian Sands. Filmado num preto e branco e incluindo cenas arrepiantes de maus-tratos animais e a seres humanos, The Painted Bird é daquelas pérolas que irá dar que falar durante bastante tempo.

É complicado, para mim, fazer uma abordagem linear deste filme. E porquê? Porque o realizador Václav Marhoul tem as suas intenções explícitas, mas usa e abusa da tortura animal sem necessidade. Visualmente, este artifício (e sim, tive de esperar até aos créditos finais para me certificar de que nenhum animal foi magoado ou morto durante as filmagens) pode trazer ainda mais intensidade, mas sente-se que é meramente usado como desculpa para realçar os horrores da guerra quando o filme tem mais do que material suficiente para mostrar. Claro que isto cria um envolvimento ainda maior, e consegue mesmo ser impressionante. No entanto, violência gratuita só porque sim, quando o contexto já tem violência que chegue, parece ser uma desculpa algo esfarrapada só para tornar o filme odiável aos olhos de todos.

The Painted Bird Critica de Cinema

No entanto, terei de me manter imparcial eticamente em relação a este ponto, porque The Painted Bird é extraordinariamente belo dentro da sua forte incidência na violência. Aliás, é um filme que se rege por isso para entregar o que são todos os horrores de uma guerra e de como o ser humano é capaz de tudo para se tentar refugiar de um destino fatal. Até mesmo o horror animal nos faz sentir ainda mais revoltados… O pequeno Petr Kotlár é um protagonista soberbo, e a carga física e psicológica da sua personagem não é uma que é fácil. Aliás, é provavelmente um dos papéis mais exigentes que tive o prazer de ver até hoje interpretado por uma criança. É tão duro, revoltante, ultrajante, que a cada capítulo que passa o nosso coração já está a sentir dor e receio.

Mas The Painted Bird está recheado de momentos de uma qualidade de realização inigualável. A direção de fotorgrafia é absolutamente vertiginosa, com o preto e branco a cortar com a violência gratuita, mas a trazer aquele tom doce e inocente do protagonista. É também um filme muito contemplativo, o que o torna ainda mais intenso. Mas não será um filme que todos quererão ver ou aguentar até ao fim. São quase 3 horas de tortura (literalmente) animal e humana e que só os mais corajosos conseguirão digerir.

Do ponto de vista cinematográfico, The Painted Bird é uma obra singular, filmada com mestria, com um argumento simples, mas prestações bastante boas, para além de um protagonista maravilhoso, e é violento a todos os níveis sem ter medo de impressionar.

The Painted Bird Critica de Cinema

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Título: O Pássaro Pintado

Título Original: The Painted Bird

Realização: Václav Marhoul

Elenco: Petr Kotlár, Udo Kier, Stellan Skarsgård, Harvey Keitel, Julian Sands, Barry Pepper.

Duração: 169 min.

Trailer | The Painted Bird

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