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Dirty John: The Betty Broderick Story – Season Finale – 2ª Temporada

Dirty John Season Finale

CONTÉM SPOILERS DE DIRTY JOHN: THE BETTY BRODERICK STORY!

Dirty John foi uma revelação baseada num podcast onde são exploradas as dificuldades de relacionamentos tóxicos, onde um dos cônjuges revela distúrbios psicológicos ou emocionais que conduzem a resultados trágicos e de difícil digestão. Na primeira temporada, Connie Britton e Eric Bana debatem-se com uma relação extremamente volátil e com consequências gravíssimas, e agora Amanda Peet e Christian Slater debatem-se com um dos casos mais mediáticos onde os ciúmes e a dependência emocional levam a um desenvolver de uma doença mental deveras perigosa.

Dirty John Season Finale

O MELHOR:

Dirty John: The Betty Broderick Story é uma experiência bastante competente dentro da génese da série.

Aqui há uma inversão, onde o criminoso passa a ser a mulher e o homem a vítima. No entanto, a questão da masculinidade tóxica é ainda assim abordada através das traições carnais que conduziram à ruptura amorosa de Betty e Dan. A verdade é que a série é capaz de nos colocar na posição da assassina e fazer com que nutramos uma certa empatia com a mesma.

A perceção do espectador está dirigida para sentir pena e, de certa forma, relacionar-se emocionalmente com a questão de Betty: ninguém gosta de ser traído pela pessoa que mais se ama no mundo. Mas até onde vai a linha do que é amor e do que é obsessão? As relações amorosas são, muitas vezes, problemáticas em lidar com aspetos sensíveis e, na indústria audiovisual, têm tendência a cair em clichés. E porquê? Porque o amor não é um sentimento linear. Dirty John: The Betty Broderick Story é um upgrade desta questão e um que rompe com a direção da primeira temporada, fugindo da abordagem mais comum e apalpando terreno para uma exploração afincada da transição entre amar e estar-se obcecado em manipular a relação a seu favor.

Dirty John Season Finale

Isto é uma matéria bastante interessante, na medida em que as personagens principais são ambas condenadas, mas não deixamos de sentir um apreço pelo culpado (neste caso culpada) do desenlace, mas sentimos a sua dor ao longo dos episódios. É uma estratégia pouco convencional e que irá afastar muitos. No entanto, vejo isto como um exercício de escrita hábil e que deturpa a nossa visão por nos colocar empaticamente do lado da protagonista.

Em suma, Dirty John: The Betty Broderick Story é uma versão deliciosamente manipuladora que nos consegue cativar do início ao fim, rompendo com a sua fórmula original, e apresentando-nos um caso verídico com o auxílio de performances extremamente vívidas e interessantes. É também um estudo magnífico desta dicotomia de amar e obcecar com uma relação que tinha tudo para ser idílica e revelou-se um fracasso porque someone just couldn’t keep it in their pants…

O PIOR:

Apesar de tudo, alguns dos argumentos são pouco convincentes em transmitir uma ideia forte da questão.

Claro que Dirty John: The Betty Broderick Story cai nalguns erros de trabalho de personagens secundárias, fazendo com que não haja uma perspetiva alheia do que vai acontecendo, sendo demasiado linear na abordagem da relação entre Betty e Dan. Não há espaço para saber-se como estão os filhos do casal a sofrer com o divórcio (ou se houver é muito pouco) e o clímax não proporciona uma visão mais abrangente de como este caso afeta todos os intervenientes (sejam eles diretos ou indiretos).

Portanto, mesmo que Dirty John: The Betty Broderick Story seja bastante boa, há sempre aspetos que podem ser limados e deixar que a série amadureça ainda mais para incluir mais personagens e tornar-se ainda mais rica.

Dirty John Season Finale
DIRTY JOHN — “No Fault” Episode 201 — Pictured: Amanda Peet as Betty Broderick — (Photo by: Isabella Vosmikova/USA Network)

Estado da Série: STAND-BY

Leiam a nossa Mini-Review anterior de Dirty John aqui.

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75%
Average Rating

Dirty John: The Betty Broderick Story é um exercício extremamente competente, que nos leva pela mente de uma pessoa que, de tanto amar, perdeu a noção do seu rumo e comprometeu a sua vida. Amanda Peet e Christian Slater são fabulosos nos seus papéis.

  • 75%

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