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Crítica: Palm Springs (2020)

Palm Springs Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE PALM SPRINGS!!!

Sempre que ouço falar de uma comédia de Andy Samberg, fico sempre com um pé atrás. Nada contra o ator, mas tenho sempre receio que este volte às suas “raízes” mais infantis. Portanto, quando soube que este seria um dos protagonistas deste Palm Springs, estava apreensivo. Depois, curioso devido à sua receção calorosa no Festival de Sundance. E depois de ver o filme, estranhamente satisfeito pelo resultado!

Samberg é Nyles, um rapaz que se vê preso num time loop e obrigado a reviver o mesmo dia (um casamento, ainda por cima!) vezes e vezes sem conta. A sua vida muda quando este conhece Sarah, a irmã mais velha da noiva, que se encontra também no mesmo ciclo temporal.

Palm Springs podia ter sido um produto banal. Afinal, assentou a sua premissa principal no conceito de um ciclo temporal perpétuo, algo que não é exatamente uma grande novidade tanto no grande ecrã (cortesia de Groundhog Day ou Happy Death Day) como no pequeno (são várias as séries que empregaram este sistema em alguns dos seus episódios, enquanto Russian Doll torna este mesmo conceito numa ideia principal).

No entanto, pelas mãos capazes de Max Barbakow e Andy Siara (realizador e guionista, respetivamente), Palm Springs é tudo menos convencional. Claro que temos direito aos shenanigans já obrigatórios deste género específico, mas este filme é também uma comédia romântica, por isso também conta com alguns momentos genuinamente engraçados e não menos comoventes.

Palm Springs também vai mais longe do que algumas comédias românticas e também abraça o lado mais dramático das relações interpessoais a longo prazo. A maior parte das comédias românticas, de uma forma geral, tendem a encontrar maneiras fáceis de fazer frente a uma vida quase sem amor e sem quaisquer formas de satisfazer a nossa solidão. As relações amorosas e a bagagem emocional inerente não são temas fáceis de abordar, mas o filme encontra maneiras subtis, mas eficazes, de falar sobre essas mesmas questões.

E no centro do filme e da maior parte dos eventos, temos Nyles e Sarah. Embora a sua jornada em forma de dupla não comece da melhor forma possível (e ainda encontram alguns obstáculos pelo caminho), os quase 90 minutos de duração do filme acabam por servir de tempo mais do que suficiente para os conhecermos aos dois e acabarmos por criar laços com eles, o que torna a sua relação verdadeiramente genuína. Muito se deve à escrita de Siara, que é complementada por performances surpreendentes de Samberg e Cristin Milioti. O filme conta ainda com algumas caras conhecidas do pequeno ecrã, e uma presença ocasional de J.K. Simmons, mas é a dupla de Samberg e Milioti que tornam Palm Springs um filme agradável de se ver.

Palm Springs é um filme simples, com uma mensagem clara sobre relações humanas e isolamento, mas merece toda a nossa atenção. Se não for pela comédia ou a vertente romântica, ao menos que seja por termos um duo protagonista com bastantes cartas para dar no mundo do entretenimento.

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Título: Palm Springs
Realização: Max Barbakow
Elenco: Andy Samberg, Cristin Milioti, J.K. Simmons, Peter Gallagher, Meredith Hagner, Camila Mendes, Tyler Hoechlin
Duração: 90 minutos

Trailer | Palm Springs

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