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Crítica: Relic (2020)

Relic Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE RELIC!

Parece que o filme de terror do ano surge num registo muito diferente do habitual. Relic pode não ser uma obra-prima, mas é extremamente eficaz em criar algo envolvente, ao mesmo tempo que consegue criar um clima de tensão fora do vulgar. A história consiste na abordagem da demência em três gerações de uma família matriarcal, onde ao visitar a mãe/avó, Kay e Sam descobrem que uma entidade paranormal tomou conta do estado frágil da matriarca da família, levando a um estado de loucura incontrolável.

Relic Critica de Cinema

Relic constrói o seu mote de forma bastante interessante, criando gradualmente uma narrativa simples que vai caindo cada vez mais no desespero à medida que avança. Não é um filme perfeito, já que devia ter aproveitado para explorar ainda mais as personagens e não se deixar ficar pela simplicidade. No entanto, é na parte do terror que Natalie Erika James brilha enquanto realizadora. Relic é forte, repleta de momentos desconfortáveis e também tem um trabalho de maquilhagem formidável, para além de prestações magníficas das atrizes. As sequências de imagens mórbidas, com um ambiente lúgubre e decadente, torna toda a experiência de Relic muito visual e acutilante.

É um filme que transmite insegurança a todo o momento, levando a que o nível de choque e de impacto vá aumentando até ao clímax do filme. Mas mais do que um filme de terror, Relic é um drama familiar bastante competente (ainda que careça de aspetos importantes como o referido em cima), utilizando este trio de mulheres como um triunvirato de problemas e fragilidades. Todas as personagens são unidas pelo sangue mas, até que ponto é o sangue de confiança quando os comportamentos começam a mudar? É também um conto de resistência psicológica, já que vemos a personagem de Robyn Nevin a decair gradualmente e sentimos a necessidade instintiva da filha e neta de querer ajudar e tratar dela, mesmo sabendo que o caso está perdido.

Relic Critica de Cinema

Mas a verdade é que Relic é um filme que se foca na parte emocional e psicológica que está inerente à forma como tratamos a nossa família. O jogo de manipulação argumentativo eleva o filme a um novo estatuto, já que ficamos sempre inseguros de qual é a melhor decisão a tomar. Este “puxar” do sistema nervoso do espectador é extremamente importante para que Relic seja credível e cumpra a sua função. Mas Relic poderia explorar as personagens de forma mais afincada para nos criar uma maior empatia com elas. Sente-se que, por muito bom que o filme seja, as personagens são muito superficiais e não nos agarram com a emoção que deviam.

No entanto, Relic é um serão extremamente bom de terror e um que promete já ser um dos filmes do ano do género. Com performances magníficas, uma realização (duma estreante) com a direção certa, e um argumento que se foca no plano dramático da sua génese e transforma-a em algo arrepiante, é um marco e o género do terror precisa um pouco mais desta compreensão.

Relic Critica de Cinema

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Título: Relíquia

Título Original: Relic

Realização: Natalie Erika James

Elenco: Emily Mortimer, Robyn Nevin, Bella Heathcote.

Duração: 89 min.

Trailer | Relic

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