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Crítica: Welcome to Chechnya (2020)

Welcome to Chechnya Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE WELCOME TO CHECHNYA!

Chechénia, 2017. Uma purga à comunidade LGBTIQ+ é feita nesta república russa liderada por Ramzan Kadyrov, um dos muitos braços direitos de Vladimir Putin. As pessoas são sequestradas, torturadas, violadas e massacradas e sem deixar rasto. Um ato que não teve o mediatismo que mereceu, já que viola a integridade dos direitos humanos, e o qual o corajoso David France decide focar-se para trazer ao mundo a verdade sobre esta realidade cruel e arrepiante que é vivida por um grupo de pessoas que continua a arriscar a vida para salvar os membros da comunidade.

Welcome to Chechnya Critica de Cinema

Welcome to Chechnya é, até agora, o melhor filme do ano. Não há como lhe ficar indiferente, seja pelos elementos fortes com que é construído, seja pelo fator emocional que está ao rubro em todas as cenas, seja pela sua mensagem, por demais, relevante e forte, seja pelo seu caráter interventivo de que o mundo não pode virar as costas a um problema como este. É um documentário tão forte que nos faz roer as unhas até sangrar, de tanta adrenalina e de tanto nervo que se apodera de nós enquanto vemos o desespero de pessoas para tentarem fugir do seu país natal porque ele não os aceita e os aniquila. Inclusive, o documentário está tão bem cuidado que nunca são reveladas as verdadeiras identidades das pessoas que estão a escapar, sendo atribuídos pseudónimos falsos e os rostos são alterados digitalmente.

Welcome to Chechnya é tão intenso e tão fugaz que nos impele a querer uma atitude de mudança. Mudança porque é inadmissível haver ainda alguém que seja contra a integridade humana e que continue a julgar e a praticar homofobia em pleno século XXI. E, mais inadmissível ainda, são líderes governamentais que são os primeiros a incitar e a permitir que membros da sua comunidade sejam vítimas dos seus medos e das suas frustrações… mas Welcome to Chechnya não só é um ato de coragem para todos os que conseguiram escapar desta tirania, como também é uma ode ao grupo de defesa LGBTIQ+ que arranja todos os mecanismos para salvar as vítimas.

Welcome to Chechnya Critica de Cinema

Olga Baranova e David Isteev são duas das pouquíssimas pessoas que se dedicam a retirar e a realojar noutros países membros fugitivos desta perseguição. São ídolos que arriscam as suas vidas para o fazer, sempre com tenacidade e tendo ainda que lidar, não só com as suas mazelas pessoais, como também com o impacto psicológico que esta purga teve nas pessoas que foram torturadas. Há um elemento emocional demasiado forte e poderoso em Welcome to Chechnya. Um que não espelha apenas a realidade, mas um que é um grito de revolta para que o mundo se rebele contra este governo opressivo e que haja justiça e igualdade para todos porque está na altura de terminarmos com a crueldade que infligimos em tudo o que nos rodeia, e que possamos viver em comunidade porque ninguém merece ser julgado pela sua orientação sexual, cor da pele e, infelizmente, ainda temos de falar sobre isso porque a sociedade humana em vez de dar um passo final em frente, recua logo dois para trás.

Um filme obrigatório, duro e de emoções cruas, Welcome to Chechnya é absolutamente vertiginoso e um que é mais do que recomendado a todos.

Welcome to Chechnya Critica de Cinema

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Título: Bem-vindos à Chechénia

Título: Welcome to Chechnya

Realização: David France

Duração: 107 min.

Trailer | Welcome to Chechnya

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