Mini-Reviews TV TV

Hanna – Season Finale – 2ª Temporada

Hanna season finale

PODE CONTER SPOILERS DE HANNA!!!

Em tempos recentes, o universo televisivo tem obtido alguma inspiração ao adaptar filmes antigos e recentes num formato de série. A maior parte delas não vale a pena testemunhar, enquanto há uma ou outra que consegue fazer justiça ao que vimos antes, ao mesmo tempo que traça o seu próprio caminho. A primeira temporada de Hanna pode ser vista como um misto dos dois lados, no sentido de, de forma positiva, melhorar alguns aspetos do filme de Joe Wright, mas, de forma negativa, não escapar muito desses parâmetros já estabelecidos. Dito isto, esta segunda temporada escapa dessa mesma sombra e acaba por sair a ganhar.

Arrancando pouco tempo depois dos eventos da temporada anterior, Hanna (Esme Creed-Miles) e Clara (Yasmin Monet Prince) fazem o melhor que podem para sobreviver numa floresta na Roménia. No entanto, quando Clara é capturada pela Utrax, a operação da CIA responsável por criar jovens assassinas, Hanna vê-se obrigada a pedir ajuda a Marissa Wiegler (Mireille Enos).

O MELHOR:

O mundo de Hanna continua a crescer, e as suas personagens crescem com o mundo.

Torna-se um bocado arriscado quando uma série televisiva começa a tomar um rumo diferente do que foi estabelecido no filme. Nas mãos de um showrunner diferente, esta temporada podia ter o risco de servir de rehash do que vimos na temporada anterior, trocando apenas os cenários e algumas personagens. Posto isso, ter David Farr (que nos trouxe o filme homónimo) nessas mesmas funções permite-nos respirar de alívio, uma vez que este respeita os eventos anteriores e consegue criar uma história inédita.

O mundo de Hanna cresceu nesta temporada, disso não há dúvida. Ainda que, tal como a temporada anterior, a ação tome lugar na Europa, esta temporada permite-nos visitar outras cidades europeias pelo caminho. Além disso, tornar a Utrax no ponto de interesse desta temporada ajuda-nos a perceber o porquê de esta ter de ser derrubada. Ainda que não estejamos a par da sua concepção, esta temporada dá-nos uma visão dos seus métodos, especificamente sobre as Meadows, na Irlanda. Isto é a Utrax na sua fase mais doentia: além de treinar as jovens como futuras assassinas capazes de se misturar com a multidão, esta também oferece as histórias para essas mesmas jovens. Famílias, ligações amorosas, personalidades. É a Utrax no auge da vilania, o que tornam as futuras assassinas em figuras trágicas em si.

Com uma nova temporada, também chegam novas nuances às personagens que fazem a transição entre temporadas. E Hanna exibe a maior mudança. Na temporada anterior, esta tinha uma curiosidade intensa de conhecer o mundo real; mas agora, face aos seus confrontos e perdas, Hanna tornou-se mais obscura e desconfiada. Creed-Miles foi impressionante na primeira temporada, e esta torna a favorecer as suas forças como atriz. Mesmo as dinâmicas mudaram: Hanna, face a Clara, toma a mesma posição que Erik Heller tomou como protetor, ao passo que Clara toma o lugar que Hanna exibiu na temporada anterior. É uma dinâmica diferente do habitual e que fomenta alguns dos momentos mais emocionais da temporada.

De regresso também está Marissa Wiegler que, apesar de manter a mesma instância anterior, já não pode ser vista como uma vilã, mas sim como uma espécie de figura maternal que, em mais do que uma ocasião, tem alguns truques e mistérios na manga.

Hanna também revela algumas caras novas nesta fase, e essas caras compõem o corpo principal da Utrax. Temos Leo Garner (Anthony Welsh), que serve como uma espécie de mentor para as raparigas das Meadows afável, mas que não tem receio de sujar as mãos quando assim é necessário; e temos ainda Terri Miller (Cherrelle Skeete), uma jovem operativa da CIA que fica encarregue de criar as histórias de vida das raparigas. Estas duas entradas podem ter as suas lealdades patentes, mas não podem ser vistos como verdadeiramente malvados; essa função cabe a John Carmichael (Dermot Mulroney), que não esconde as suas motivações mais sinistras dos seus colegas.

O PIOR:

O ritmo desta temporada de Hanna acaba por deitar tudo a perder.

Esperava-se que, com uma duração de 8 episódios, a série conseguiria mostrar um ritmo mais acelerado. No entanto, e apesar de cada um dos episódios conter desenvolvimentos bombásticos na trama, fica a ideia de que a série leva o seu bom tempo a lá chegar. Apesar disso, alguns destes momentos levam-nos a experiências mais introspetiva, o que tornou num marco neste universo.

Muitas séries tendem a perder-se pelo caminho quando começam a desenvolver a sua narrativa para além do ponto estabelecido dos filmes. Hanna é claramente uma das poucas exceções à regra, expandindo os seus horizontes para novos e misteriosos trilhos, ao mesmo tempo que se mantém leal ao que foi visto antes.

Hanna season finale

Resta saber se Hanna terá direito a uma nova temporada por parte da Amazon. Mas enquanto esperamos por novidades, podem reler o que achámos da temporada anterior aqui.

Estado da série: STAND-BY

0 83 100 1

83%
Average Rating

Depois de uma primeira temporada que deixou levemente a desejar, Hanna regressa para uma nova aventura que é uma melhoria em todos os aspetos imagináveis.

  • 83%

Comments