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Crítica: Adú (2020)

Adu Critica de Cinema

CONTÉM SPOILER DE ADÚ!

Nestes últimos tempos, as produções da Netflix cinematográficas começaram a escassear em qualidade… no entanto, Adú chega e prova que ainda há muita criatividade a ser aproveitada pela gigante do streaming. Adú é um filme extremamente doce, com uma imagem bonita, prestações muito boas e um enredo cativante e diversificado. Temos três histórias a compor a narrativa de Adú (no entanto, a do protagonista que deu nome ao filme é a principal). Adú é um pequenote que habita no Congo com a sua mãe e irmã Ali, mas deparam-se com um ato de caçadores furtivos ilegais e são perseguidos para serem mortos; já em Marrocos, numa cidade espanhola, milhares de refugiados tentam entrar na cidade, mas a polícia envolve-se e dá-se um grave acidente, ao qual terão de enfrentar justiça; e por fim, acompanhamos Gonzalo, um conservacionista e protetor dos elefantes nos Camarões, que se vê no encalço de caçadores furtivos ilegais e, ao mesmo tempo, de lidar com a sua filha rebelde que acabou de chegar de Madrid.

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Adú é um filme mosaico extremamente interessante e repleto de momentos dramáticos intensos e extremamente bem filmados. Claro que nem todas as histórias possuem a mesma dinâmica ou o mesmo interesse, mas todas elas, mais tarde, convergem para dar uma conclusão bonita. Com uma realização bastante interessante por parte de Salvador Calvo, um argumento que traz com garra uma emoção genuína e pura, Adú é aquela surpresa que irá deliciar os corações de quem gosta de um bom drama.

O elenco também não fica atrás e, embora nem todos partilhem do mesmo talento, é de louvar que Luis Tosar e o pequeno Moustapha Oumarou (voto para que seja criado um Óscar da criança mais adorável em sua homenagem!) consigam carregar a película sempre com uma naturalidade surpreendente. Portanto, Adú insere-nos em África, que é o fio condutor das três histórias mencionadas, e foca-se numa narrativa que vai saltitando de história para história para não se tornar maçudo ou cansativo.

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No entanto, por muito que seja um aspeto maioritariamente positivo na maior parte dos filmes do género, Adú sofre um pouco por nem todas as histórias que conta terem a mesma dimensão que a principal que acompanha o pequeno Adú e a sua irmã Ali. Se todas as histórias tivessem uma carga dramática como a principal, Adú seria uma obra a juntar-se aos grandes de Iñárritú (Babel, 21 Grams, Amores Perros)… mas infelizmente é uma obra ainda ingénua e experimental, mas salvaguarde-se de que há sempre possibilidade de melhorar, e o realizador Salvador Calvo é uma verdadeira surpresa.

Portanto, Adú pode não ser um filme perfeito, mas é bastante competente em nos agarrar do início ao fim, de manobrar (quase sempre) bem o estilo mosaico e de nos fazer a lágrima cair no rosto algumas vezes.

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Título: Adú

Título Original: Adú

Realização: Salvador Calvo

Elenco: Luis Tosar, Álvaro Cervantes, Anna Castillo, Moustapha Oumarou, Miquel Fernández, Jesús Carroza, Adam Nourou, Zayiddiya Dissou, Ana Wagener, Nora Navas.

Duração: 120 min.

Trailer | Adú

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