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DARK – Series Finale – 3ª Temporada

DARK Series Finale

CONTÉM SPOILERS DE DARK!

Guten Morgen, viajantes do tempo! A vossa série favorita chegou ao fim e a Netflix tem aqui provavelmente uma das suas mais bem estruturadas séries até aos dias que correm. Dando continuidade aos eventos da temporada anterior, DARK continua a reinventar-se a trazer um carisma e complexidade magistrais à sua narrativa densa, repleta de tensão e de respostas que há muito que todos esperavam. “O início é o fim e o fim é o início”, é aquele mote que é repetido vezes e vezes sem conta durante a temporada e, gradualmente, vamos percebendo que a narrativa de DARK é ainda mais complexa do que meramente discrepâncias de linhas temporais, ampliando para realidades paralelas e ainda novos “mundos”.

A verdade é que Jonas e Martha precisam urgentemente de encerrar o ciclo, evitando assim o apocalipse que se avizinha e que colocará todas as pessoas que amam em risco.

DARK Series Finale

O MELHOR:

DARK é provavelmente uma das melhores séries de ficção científica de que há memória.

Começou de forma muito difícil, mas foi pavimentando o seu caminho até atingir uma magnitude que ninguém esperava. A série alemã, criada por Baran bo Odar e Jantje Friese, é única e trabalha extremamente bem aqueles elementos que são essenciais para proporcionar a todos os seus fãs e espectadores um serão deslumbrante de personagens cativantes e narrativa que se anula e reinventa vezes e vezes sem conta. É uma proeza maravilhosa e, a melhor parte de todas, é que DARK é sempre fiel às suas origens. Foi pensada com cuidado, ponderada até ao último segundo e está repleta de referências magníficas.

Nesta terceira temporada, entra o fator shakespeariano em jogo, num misto de amor e traição, com um final epicamente realizado e com as prestações de Dietrich Hollinderbäumer e Barbara Nüsse a sobressair em cada momento em que surgem. Há também uma beleza na narração muito característica daquele filme extraordinário chamado Your Name. É provavelmente um dos romances menos clichés de que há memória, ainda que os jovens protagonistas não me tenham conquistado verdadeiramente, mas já lá vamos.

DARK tem uma capacidade incrível de nos absorver com a sua enigmática história e de nos forçar a trabalhar o cérebro para decorar e relembrar todas as personagens nesta teia gigantesca. Há também um cuidado impressionante para não deixar nenhuma ponta solta, nem nenhuma personagem ao acaso, o que a torna singular no seu registo. Para uma série que absorve a temática mais cliché da ficção científica, DARK consegue tornar-se icónica por levá-la a um patamar superior, tornando-se naquela que irá redefinir e inspirar novas séries do género. Agradeço à Netflix e aos norte-americanos que não comecem já a pensar em remakes na língua inglesa porque DARK ganha por beber da sabedoria alemã e tem na sua génese todo um charme europeu que, copiado, vai perder a essência.

DARK Series Finale

O PIOR:

Mas, apesar de DARK manter todos os seus elementos e de continuar a surpreender nesta última temporada, há certos aspetos que preferia ver mais simplificados.

Não quero que interpretem esta parte como algo de “ataque” à série, mas sim uma visão de quem tem já alguns anos desta área e com uma fadiga constante por filmes/ séries televisivas que se regem pelo princípio das viagens no tempo. DARK é abismal, fantástica e uma autêntica montanha-russa e emoções e fecha um ciclo que era dominado pelo estilo procedural, adicionando um novo marco para o género. No entanto, para uma pessoa como eu que tem uma dificuldade enorme em decorar nomes e rostos, DARK é quase uma série inimiga. Claro que isto não é problema da série (nem irá influenciar a classificação final), mas quase necessito de apontar os nomes num caderno e contratar um sketch artist para decorar quem é quem ao longo dos episódios.

Algo que me espantou imenso, foi a segunda temporada adquirir um tom mais linear em termos narrativos. A explicação gradual das linhas temporais e da sua composição ajudou a que o meu cérebro conseguisse processar ainda melhor a quantidade gigantesca de informação que a série me despeja em cima. Mas, alheio ao que me esperava, esta temporada volta a mudar de tom e começa a ser frenética com demasiada informação que o meu cérebro obrigatoriamente necessita de tempo para digerir (mais uma vez reforço a ideia que o problema é meu e não da série) e DARK volta a despejar bombas atrás de bombas quando podia adquirir um tom mais linear e mais simples no seu desenlace. No entanto, e como DARK não é uma série para burros, vou baixar as orelhas, e vou deixar de ser preguiçoso para entender os seus passos devagar, ainda que continue a preferir algo mais simples de compreensão.

Mas, a todos os fãs, a toda a equipa envolvida, uma grande salva de palmas e aproveitem este novo clássico da televisão moderna que, dentro da sua complexidade, prova que o infinito não precisa de tempo, mas sim de amor e de ser vivido com a maior intensidade possível.

DARK Series Finale

Estado da Série: TERMINADA

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Average Rating

DARK é oficialmente uma das melhores produções da Netflix, com uma temporada final genial e de uma complexidade que irá satisfazer os seus fãs do início ao fim.

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