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Crítica: Irresistible (2020)

Irresistible Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE IRRESISTIBLE!!!

Algumas vez ouviram falar de um certo late night show chamado The Daily Show? É um projeto que, apesar de não ter o reconhecimento neste lado do Atlântico, especializou-se em satirizar o lado mais político dos Estados Unidos da América. E Jon Stewart foi um especialista dentro desta área, colocando o programa no mapa até à sua “reforma” (de momento, é o sul-africano Trevor Noah a cargo do programa). Portanto, vermos Stewart a regressar às suas origens políticas fazia um certo sentido. Infelizmente, Irresistible não deixa de ser uma franca desilusão.

Gary Zimmer é um consultor político que decide apostar num veterano da Marinha norte-americana e torná-lo num mayor democrata numa pequena cidade rural no estado de Winscosin. A sua aposta depressa chama a atenção dos media e de uma consultora rival, atirando as eleições na pequena cidade num autêntico frenesim.

Gozar forte e feio com a situação política nos Estados Unidos tem sido o “ganha-pão” de Stewart durante anos, por isso vermos o comediante a atacar este tema não é verdadeiramente surpreendente. E se pensarmos com cuidado, Irresistible possui algumas ideias bastante inteligentes para perseguir, especialmente no que refere aos exageros ligados às campanhas eleitorais e de como os meios de comunicação social funcionam nestas alturas.

No entanto, Stewart também ficou conhecido durante a sua carreira no The Daily Show por não ter mãos a medir nas suas palavras e ideias. Torna-se surpreendente, então, como a mensagem patente não foi tão bem transmitida quanto o desejado. Aliás, penso que o filme teria saído melhor se tivesse focado numa ideia em específico em vez de andar a saltitar de ideias atrás de ideias, ou de apostar num humor mais palpável e mais nocivo. São elementos que definiram Stewart e que, por incrível que pareça, uma vez que serviu tanto de realizador como guionista, estes não estarem presentes de todo!

Irresistible conta com um elenco recheado de caras conhecidas, mas a grande maioria não sai da cepa torta. Temos o caso de Steve Carell que, embora possua alguns bons momentos, relembra-nos um pouco de outras personagens que já tínhamos testemunhado anteriormente durante a sua carreira. O elenco possui ainda outras caras como Topher Grace ou Natasha Lyonne que estão relegados a papéis de pequena dimensão e que em nada influenciam com o avançar da narrativa. Dito isto, existe algo gentil quando vemos Chris Cooper em cena, servindo como uma espécie de luz ao fundo do túnel.

O filme conta com algumas surpresas pelo caminho, mas no fim e ao cabo, Irresistible continua a embater em alguns obstáculos já um tanto ou quanto familiares. Quem já viu filmes centrados em campanhas eleitorais ou no clássico cenário de “peixe fora da água” certamente encontrará imensas semelhanças.

E isto sem mencionar a parte humorística do filme, que é praticamente inexistente ou, na pior das situações, recorre aos velhos estratagemas do costume, incluindo um trocadilho com a palavra “Nun”. É aborrecido e não traz muita coisa de novo.

Os fãs acérrimos de Jon Stewart estavam certamente à espera de um regresso em grande ao ecrã, especialmente considerando o seu impacto no The Daily Show e da sua estreia como realizador que passou despercebido a muita gente. Irresistible tinha tudo para ser um regresso ao que Stewart sabia fazer melhor, mas acabou por ser uma grande desilusão.

Podem conferir outras das nossas Críticas aqui.

Título: Irresistible

Realização: Jon Stewart

Elenco: Steve Carell, Rose Byrne, Chris Cooper, Mackenzie Davis, Brent Sexton, Will Sasso, Topher Grace, Natasha Lyonne

Duração: 101 minutos

 

Trailer | Irresistible

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