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Crítica: A Whisker Away (2020)

A Whisker Away Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE A WHISKER AWAY!!!

Durante a minha vida, vi um certo número de filmes de anime suficientes para começar a reparar em algumas semelhanças entre os vários filmes existentes. Os filmes de anime assentes no género de romance não são exceção, com a grande maioria a obedecer a uma espécie de fórmula “vencedora” que já se torna um tanto ou quanto familar. No entanto, isso não impede os guionistas de tentarem encontrar maneiras de dar a volta à fórmula. Este A Whisker Away é um desses casos.

Miyo Sasaki é uma jovem estudante que planeia todo o tipo de travessuras no meio da sua escola, inclusive fazer avanços românticos exagerados à sua paixoneta, Kento Hinode. De maneira a aproximar-se dele, Miyo decide usar uma máscara que a transforma numa gata que Hinode acaba por batizer de Taro. No entanto, quando a vida humana e de gato começam a entrar em colisão, Miyo terá de tomar uma decisão.

Confesso-vos que A Whisker Away não é exatamente o que estava à espera, o que abona completamente a seu favor.

Numa primeira vista, é compreensível estarmos perante uma espécie de romance com alguns toques de magia pelo caminho, mas A Whisker Away consegue ter um tom mais adulto no que toca aos seus temas principais sobre sentimentos reprimidos e como respondemos a eventos importantes nas nossas vidas.

Quando conhecemos Miyo pela primeira vez, ela assenta que nem uma luva ao papel da “palhaça” da turma, dando origem a sentimentos de troca ou incómodo dos seus amigos e colegas. Isso torna-se mais evidente quando se descobre a origem do nickname dela, Muge (Miss Ultra Gagá Enigmática, vejam lá!). No entanto, da mesma forma que Miyo usa uma máscara para se transformar numa gata adorável, está faceta é uma máscara figurativa como forma de lidar com os seus sentimentos reprimidos. Acabamos por odiar ligeiramente a personagem de início até entendermos a origem desta sua faceta, se bem que o filme não aligeira a sua atitude mais louca. Ainda passamos um pouco de tempo com Hinode e dos seus próprios problemas internos, mas a viagem de Miyo acaba por suscitar um maior interesse.

De uma certa forma, estas ideias acabam por dar um toque diferente a uma narrativa um tanto ou quanto familiar dentro deste género sobrelotado. Ajuda também que também invista o seu tempo a explorar o mundo dos gatos, se bem que também inspira-se em outros filmes animados que tenham gatos no cerne da questão.

Em termos visuais, A Whisker Away pode vir a ser um filmes de anime originais da Netflix mais belos até agora. Temos direito a um mundo humano familiar mas não menos elegante, enquanto o mundo dos gatos busca o bizarro e o mágico pelo caminho. Existe uma mistura evidente entre o design tradicional e a animação em CGI, mas os resultados não são tão evidentes quanto isso. Dou também o destaque para o efeito da iluminação do filme, que também está em boa forma. Fica mais do que claro que este é um filme que deveria ser visto no cinema!

Apesar de ter uma narrativa interessante e uma componente visual de encher o olho, A Whisker Away não é tão perfeito quanto se desejava. E muito se deve ao ritmo pobre do filme. Verdade seja dita, se dividirmos o filme em três atos, pode-se dizer que o segundo ato tende a ser o melhor dos três, uma vez que o primeiro toma o seu tempo a preparar as situações que iremos presenciar e o terceiro simplesmente acelera demasiado para dar uma conclusão satisfatória ao filme.

Dito isto, não se deve menosprezar A Whisker Away da Netflix, já que consegue agradar a várias camadas de audiência, seja amantes do género de romance. Ou para quem goste de gatos, em geral!

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Título: Os Gatos Também Choram/A Whisker Away
Título Original: Nakitai watashi wa neko wo kaburu
Realização: Jun’ichi Satô, Tomotaka Shibayama
Elenco: Mirai Shida, Natsuki Hanae, Ayako Kawasumi
Duração: 104 minutos

Trailer | A Whisker Away

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