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Crítica: Artemis Fowl (2020)

Artemis Fowl Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE ARTEMIS FOWL!!!

Quando a Disney+ foi anunciada ao mundo, chegou-nos uma promessa de vermos obras inéditas nos mais variados formatos imagináveis. E, até à data, este novo serviço de streaming não desiludiu, com The Mandalorian e a temporada final de Star Wars: The Clone Wars a serem os destaques para já. Em tempos de pandemia, a Disney+ aproveitou as suas possibilidades para servir de plataforma para lançamento de filmes que estavam previstos a serem lançados no grande ecrã. Um desses filmes é Artemis Fowl e, francamente, ainda bem que o fizeram, porque nos cinemas, seria visto como um grande flop para a Disney.

Baseado no livro de Eoin Colfer, Artemis Fowl centra-se no personagem titular, um rapaz de 12 anos sobredotado que cresceu a ouvir contos de fadas irlandeses junto do seu pai, Artemis Fowl Sr., um colecionador de artefatos. Quando o seu pai é raptado, Artemis prepara uma operação de resgate, ao mesmo tempo que impede os planos da misteriosa Opal Koboi.

Artemis Fowl facilmente receberá o título de pior filme da Disney do ano, pior filme do ano, e o pior filme de Kenneth Branagh como realizador (considerando que este realizou Jack Ryan: Shadow Recruit, já é dizer muito).

Os livros que compõem a saga de Artemis Fowl são adotados pelo público infanto-juvenil, especialmente do público oriundo da Irlanda. O filme, fora o local de filmagens e alguns sotaques irlandeses pelo meio, estão longe de apaziguar essa mesma dor.

O filme está repleto de falhas, começando pelo guião de Connor McPherson e Hamish McColl. Com uma duração de 90 minutos, torna-se mais do que óbvio que os guionistas tentaram inserir a maior quantidade de informação possível sobre este mundo de Artemis Fowl. Não tendo lido os livros, parto do princípio que ainda há bastante material para trabalhar em possíveis sequelas. Fica mais do que claro que, para que o filme funcionasse da melhor forma possível, este tinha forçosamente de ter uma duração maior; em vez disso, somos assaltados por imensa informação – a maior parte irrelevante para o funcionamento da narrativa – que chega ao ponto de ser irritante.

Mas a narrativa de Artemis Fowl não se resume apenas à narrativa. O campo visual também não é dos melhores. Quando se fala sobre magia e fadas, estamos à espera de vermos seres que consigam expirar o fantástico, as possibilidades infinitas do mundo da fantasia. Infelizmente, o que vemos aqui está mais ligado à ficção científica, através de gadgets, veículos e afins. Faria sentido se estes seres fossem alienígenas no material de origem, mas não sendo isso, dá a ideia que alguém não sabia bem ao que se ia meter. E isto sem falar dos efeitos audiovisuais, que podem muito bem ser dos piores que a Disney ofereceu até agora!

Nem mesmo o elenco consegue salvar este filme. Ter nomes de peso como Josh Gad ou Judi Dench certamente ajudaria, mas o tempo limitado em que estes dois aparecem não faz justiça ao talento deles como atores (sendo Gad um ator recorrente da Disney em anos recentes). Em vez disso, Artemis Fowl centra-se na sua camada de atores juvenis, mas nem eles conseguem ser convincentes o suficiente. Um caso em particular é o de Ferdia Shaw, que desilude bastante como Artemis, apresentando-se sempre emocionalmente estático, o que coloca em questão as várias cenas em que aparece e em que se considera como a mente mais brilhante.

Portanto, em poucas palavras pode-se considerar Artemis Fowl como uma grande perda de tempo. Irónico, visto que há alguns filmes que conseguem desperdiçar o nosso tempo da melhor forma possível. É uma pena.

Podem ler outras das nossas Críticas aqui.

Título: Artemis Fowl
Realização: Kenneth Branagh
Elenco: Ferdia Shaw, Josh Gad, Colin Farrell, Nonso Anozie, Lara McDonnell, Judie Dench, Tamara Smart
Duração: 95 minutos

Trailer | Artemis Fowl

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