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Crítica: Just Mercy (2019)

Just Mercy Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE JUST MERCY!!!

Durante algum tempo, sempre que abríamos o noticiário, folheávamos os jornais ou apenas ligávamos a Internet, haviam sempre notícias relacionadas com o Covid-19. E embora esta tendência se mantenha ainda atualmente, este tema tem tomado um lugar de menor destaque deste a morte de George Floyd pelas mãos das autoridades. Foi um evento que não deixou ninguém indiferente à triste realidade, inclusive de alguns famosos (o caso do discurso de John Boyega na semana passada num protesto é apenas um de muitos exemplos). As maiores cadeias de entretenimento também não deixaram de se pronunciar sobre esta questão, ao ponto de disponibilizarem gratuitamente alguns filmes ao público que tenham em conta o teor dos tempos que correm. No caso da Warner Bros., o seu filme de eleição é este Just Mercy.

Bryan Stevenson é um recém-formado advogado de Harvard que decide mudar-se para o estado de Alabama perto do final dos anos 80, com o intuito de formar uma organização que providencia aconselhamento legal a quem não possui meios financeiros para se poderem defender, dando um maior foco nos condenados à pena de morte. O maior caso de Bryan é o de Walter “Johnny D.” McMillian, um homem afro-americano que tinha sido condenado pela morte de uma rapariga de 18 anos, apesar de possuir provas que podem comprovar a sua inocência.

Se há uma coisa que aprendi sobre os documentários true crime (seja pela experiência de ver esses documentários ou comentários entre amigos numa esplanada) é que a maior parte dos casos descritos advêm de um péssimo processo judicial que levam pessoas inocentes a serem consideradas culpadas. Por vezes é por causa de haver pressão política ou social para resolverem casos mais mediáticos ou então movidos por preconceitos com base na cor da pele de uma pessoa. É essa mesma ideia que me tomou em assalto ao ver Just Mercy

Realizado por Destin Daniel Cretton e escrito por ele em cooperação com Andrew Lanham, tomando base no livro escrito pelo próprio Bryan Stevenson, Just Mercy dá-nos um olhar de como um processo judicial apressado e com claros teores racistas pelo meio podem prejudicar não só um homem inocente, mas também toda uma comunidade. Embora o filme nos venda algumas ideias bonitas sobre o verdadeiro significado da justiça e respeito pelo direitos humanos concedidos a cada um de nós desde o momento da nossa nascença, também não descura do lado mais feio destes processos judiciais, e de como as pessoas fazem tudo por tudo para tentar manter o status quo pessoal em detrimento dos valores da justiça. O filme toma lugar durante os finais dos anos 80 e inícios dos anos 90, mas as questões das desigualdades sociais continuam bem vivos nos dias de hoje, e não da melhor forma imaginável.

Sendo uma obra de ficção baseado em factos reais, Just Mercy conta com um elenco de peso que faz o melhor que pode com o que lhes é concedido. Embora a maioria do elenco demonstra-se capaz nas suas tarefas, Michael B. Jordan e Jamie Foxx são os grandes destaques do filme. Jordan demonstra, logo de imediato, um entusiasmo quase adolescente de tentar fazer mudar o mundo em que vive, mas os vários obstáculos que vai enfrentando – e acreditem, há bastantes! – não só colocam as suas crenças à prova, mas também lhe concedem a força mais do que suficiente para fazer frente a um sistema legal repleto de falhas. Foxx, do seu lado, acarreta com os momentos mais emocionantes do filme como um homem que perdeu a fé no sistema que falhou quando mais precisou, mas que agarra a esperança com unhas e dentes. O filme conta com outros membros do elenco, como Brie Larson, Rafe Spall ou Tim Blake Nelson, mas o show pertence claramente a Jordan e a Foxx.

A única exceção à regra é Rob Morgan que, apesar do curto espaço de tempo, faz com que nos apaixonemos por Herbert Robertson, um veterano da Guerra do Vietname que, graças ao facto de ter sido descartado pela sociedade à sua volta, nunca encontrou uma forma de lidar com o seu stress pós-traumático, o que o levou a cometer um erro imperdoável. Um indivíduo danificado que o sistema preferiu descartar com uma pena de morte em vez de lhe conceder o tratamento mental que precisava e que nunca recebeu. É uma subplot agridoce que merece uma menção graças ao trabalho dedicado de Morgan ao papel.

Apesar das suas qualidades inerentes, Just Mercy torna-se num filme bastante previsível. Nem é pelo resultado final demonstrado no filme, mas sim nos vários obstáculos que os “heróis” do filme têm de enfrentar para chegar à resolução. O filme pode ter uma mensagem feia e ao mesmo tempo bonita e boas performances de uma forma geral, mas o trajeto já se torna familiar para quem está mais do que habituado a este género, independentemente do método de entretenimento escolhido.

Ainda assim, Just Mercy é um filme que deve ser visto e inferiorizado. O facto de a Warner Bros. ter disponibilizado o filme gratuitamente durante o mês de Junho torna-se uma oportunidade difícil de ignorar (o que levou a Paramount a seguir o exemplo e a disponibilizar o filme Selma, de Ava DuVernay, de forma gratuita).

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Tudo Pela Justiça
Título Original: Just Mercy
Realização: Destin Daniel Cretton
Elenco: Michael B. Jordan, Jamie Foxx, Brie Larson, Rafe Spall, Tim Blake Nelson, Rob Morgan, O’Shea Jackson Jr.
Duração: 137 minutos

Trailer | Just Mercy

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