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Crítica: Shirley (2020)

Shirley Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE SHIRLEY!

Uma jovem conhece uma escritora de romances de horror, de nome Shirley Jackson, e rapidamente é absorvida no mundo perturbado da mesma. Com uma performance magnífica de Elisabeth Moss (que nos tem agraciado ultimamente na televisão em The Handmaid’s Tale), Shirley é um filme que podia ter ido bem mais além do que realmente foi.

Shirley Critica de Cinema

A história é tão mas tão simples, que faz com que Shirley (um dos filmes mais promissores deste ano segundo a crítica) não tenha força para causar um impacto significativo nos espectadores. É uma pena, de facto. Não deixa de ser um filme interessante, com prestações extremamente boas e um argumento que traz uma reviravolta na típica fórmula feminista a que estamos habituados. No entanto, o facto de o filme não explorar afincadamente as facetas da maioria das suas personagens, leva-o a um decréscimo significativo de qualidade.

Elisabeth Moss está infalível e nota-se que a sua versatilidade enquanto atriz está mesmo a caminho do Óscar. A sua carreira está numa rampa de lançamento magnífica e, mesmo que Shirley não seja o filme que poderia ser, a única certeza é que Moss é soberba. Para sustentar uma prestação tão boa, é preciso que o filme trabalhe todas as circunstâncias que levam as personagens a colidir. Mas Shirley dispersa-se na sua própria abordagem, criando enredos pouco substanciais e alimentando um conceito narrativo pouco criativo, que não chega propriamente a nenhum ponto em concreto.

Shirley Critica de Cinema

Qual seria o objetivo de Shirley enquanto filme? Explorar o difícil mundo psicológico e mental da escritora? De que forma é a jovem Rose importante na projeção da história? Qual é o papel das personagens masculinas e a sua relevância para o enredo? São tudo questões que são respondidas de forma muito pouco credível ou interessante. É tudo muito prático, ou então, é tão aleatório que não conseguimos perceber exatamente onde o filme pretende chegar.

Mesmo com um design de produção competente, um elenco porreiro e uma direção de fotografia impecável, Shirley é um filme que não consegue subir na escala e encantar. Há uma névoa que paira sobre a mente da escritora que é o foco do filme, mas ela nunca se dissipa para revelar os motivos claros que a película quer alcançar. Há também uma falta de emotividade e química relativamente às interações entre todas as personagens, o que fragiliza ainda mais o envolvimento do espectador.

Sentimos que estamos a ver algo que não conseguimos bem perceber o que é, nem qual é o seu objetivo. Talvez num registo diferente, Shirley conseguisse definir-se melhor. Assim, o resultado final mostra-se mais medíocre do que artístico, e cai por terra em trazer uma história consistente que, a uma primeira vista, era o pretendido.

Shirley Critica de Cinema

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Título: Shirley

Título Original: Shirley

Realização: Josephine Decker

Elenco: Elisabeth Moss, Odessa Young, Michael Stuhlbarg, Logan Lerman, Victoria Pedretti.

Duração: 106 min.

Trailer | Shirley

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