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Crítica: Becky (2020)

Becky Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BECKY!

Uma jovem de 13 anos está ainda de luto após perder a mãe para o cancro há cerca de um ano atrás. O seu pai, Jeff, revela que está novamente apaixonado e que pretende recasar, mas tudo leva uma reviravolta, quando um grupo de neo-nazis invade a casa da família. Esta é a modesta história de Becky, um filme que, tanto tem de bom, como de mau. É uma recriação moderna, com um twist gore de Home Alone, ao passo que ainda inclui alguns aspetos interessantes, mesmo que não consiga ir um pouco “mais além”.

Becky Critica de Cinema

Becky é, inquestionavelmente, um filme divertido, conjugando elementos de violência, com uma inocência que é perdida da forma mais drástica possível. Mesmo com esta intenção bem nítida durante todo o filme, Becky não consegue ser dramaticamente convincente para nos deixar totalmente investidos no seu enredo. E muito disto deve-se ao facto de o filme querer assumir uma postura de “heroína jovem” e esquecer-se de que é necessário criar empatia com as personagens.

É aqui que Becky falha redondamente. Mesmo sendo um filme ligeiro (apesar de ter imagens fortes de violência e agressão, o filme adquire um tom leve na sua abordagem), Becky cai num pretensiosismo que fica fora de controlo. A história carece de camadas dramáticas para com as personagens, fazendo com que haja uma perda de sentido (e sentimento). Ao contrário de Green Room, que aproveita também alguma da temática, Becky é demasiado pobre em criar um clima de suspense necessário, bem como “plastifica” a génese dramática que pretende alcançar.

Becky Critica de Cinema

No entanto, é louvável a prestação de Lulu Wilson (tem um olhar lunático verdadeiramente sinistro) e Kevin James surpreende num papel dramático. Mas todo o resto não é suficiente para salvar Becky de ser uma versão violenta de Home Alone, sem grande empenho ou emoção. Utilizar violência não é justificável só porque sim, muito menos sem um background das personagens que seja suscetível de o público se envolver intensamente com elas.

Portanto, mesmo que Becky consiga agradar pela sua violência gratuita e explícita, perde por não conseguir superar os restantes aspetos que são essenciais para o espectador se sentir investido na história. Talvez se a sua narrativa fosse mais trabalhada e as personagens mais interessantes, o filme conseguisse “voar” um pouco mais alto do que fez. Já para não falar que os exageros, por muito engraçados que possam ser, fazem com que o realismo da película seja comprometido. Misturar esta abordagem anti-climática com a procura de “um lugar de conforto” para a protagonista, leva Becky a não conseguir apostar nas restantes características que podiam torná-lo num filme ainda bem melhor.

Becky Critica de Cinema

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Título: Becky

Título Original: Becky

Realização: Jonathan Milott & Cary Murnion

Elenco: Lulu Wilson, Kevin James, Joel McHale, Amanda Brugel, Robert Maillet.

Duração: 93 min.

Trailer | Becky

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