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Crítica: Rurouni Kenshin Part I: Origins (2012)

Rurouni Kenshin Part I: Origins Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE RUROUNI KENSHIN PART I: ORIGINS!!!

Sempre que se houve falar de uma adaptação live-action de uma série de anime ou mangá de origem japonesa, não é difícil estarmos com um certo receio. Não bastava termos visto algumas das atrocidades cinematográficas que Hollywood nos proporcionou (Alita: Battle Angel é uma das poucas melhores opções), mas o Japão também não possui adaptações tão boas quanto poderíamos desejar. Mas isso não implica necessariamente que não encontremos algumas boas adaptações pelo caminho. E um desses melhores exemplos é este Rurouni Kenshin, baseado no popular mangá e série de anime que ficou conhecido em Portugal como Samurai X.

Kaoru Kamiya é uma jovem mulher que tentar manter o dojo do seu falecido pai. A sua vida muda por completo quando esta dá de caras com Kenshin Himura, um errante que carrega consigo uma cicatriz em forma de X, uma katana de gume reverso e um passado igualmente misterioso e negro.

Rurouni Kenshin é, para todos os efeitos e circunstâncias, uma das melhores adaptações de um anime ou mangá que poderão ver neste momento. Assim que somos transportados para o Japão perto do final do século XIX, viajamos de forma bastante fidedigna para uma era há muito esquecida. Essa magia parte do guarda-roupa e dos cenários em que o filme decorre. Existem alguns cenários claramente inspirados na cultura americana, mas é impossível não ficarmos deliciados com o toque nipónico do filme.

Sendo um filme baseado numa propriedade assente em confrontos entre espadachins, seria de esperar que Rurouni Kenshin tivesse uma componente de ação bem vincada e executada. E o filme acaba por superar as nossas expectativas nessa questão. Existem algumas sequências que foram claramente filmadas graças ao jogo de arames para os saltos e acrobacias mais over-the-top, mas no fim, os combates que testemunhamos conseguem entreter com a sua ferocidade e graciosidade, ao mesmo tempo que mantém um resquício de realidade.

Nada disto seria possível se o elenco escolhido não estivesse à altura do desafio. E enquanto a maior parte do elenco do filme se encontre competente nas suas respetivas funções, Takeru Satoh e Emi Takei são claramente as estrelas de Rurouni Kenshin. Satoh consegue interpretar Kenshin com um tom um tanto ou quanto trágico que tenta disfarçar com uma personalidade amistosa (sem cair nos exageros do material de origem), enquanto Takei serve como a idealista que mantém Kenshin com pés assentes na terra. É quando o filme os une sem os forçar numa relação amorosa que este encontra os seus momentos mais tocantes.

Ainda assim, Rurouni Kenshin Part I: Origins está longe de ser um filme perfeito, e esses problemas tornam-se mais aparentes na narrativa. Tentar trazer dois arcos narrativos num único filme e uni-los de forma natural é um desafio titânico. E embora o filme consiga salvar-se nessa questão, é bastante material que o filme tenta conjugar com sucesso bastante relativo. Fica a ideia de que o filme nos atira uma sequência após a outra, sem nos dar oportunidade de respirar fundo.

Rurouni Kenshin é uma das séries de anime e mangá mais adoradas em todo o mundo. E felizmente, é também uma das poucas que conta com uma adaptação live-action que, embora não seja perfeita, é bem melhor do que outras que podemos encontrar no mercado.

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Título: Rurouni Kenshin Part I: Origins
Título Original: Rurôni Kenshin: Meiji kenkaku roman tan
Realização: Keishi Ohtomo
Elenco: Takeru Satoh, Emi Takei, Yu Aoi, Munetaka Aoki, Yosuke Eguchi
Duração: 134 minutos

Trailer | Rurouni Kenshin Part I: Origins

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