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Crítica: The High Note (2020)

The High Note Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE THE HIGH NOTE!!!

Vermos um filme que decorre no meio da indústria musical não é exatamente uma novidade, dada a quantidade de ideias novas, remakes ou biopics que podemos encontrar no mercado. Enquanto há filmes que conseguem romper com o modelo estabelecido para oferecer algo diferente e inovador, existem imensos que teimam em oferecer mais do mesmo. Infelizmente, The High Note recai no último grupo.

Maggie Sherwood trabalha como assistente pessoal de Grace Davies, uma diva da música que se resigna em cantar os seus maiores êxitos no passado. No entanto, Maggie possui uma paixão ardente em tornar-se numa produtora musical, e quando lhe surge a oportunidade de representar um jovem artista em ascensão, os dois mundos de Maggie prometem trazer-lhe muitas dores de cabeça.

Considerando que este é o filme mais recente de Gisha Ganatra e a estreia de Flora Greeson como guionista, haviam grandes expectativas em redor deste The High Note. No entanto, este é mais um filme para se ver e esquecer logo de imediato.

O filme tem alguns pontos a seu favor, como seria de esperar. Ainda que a banda-sonora de Amie Doherty consiga cumprir com as suas funções de forma adequada, um filme em redor da indústria musical quase que suplica por músicas de fundo. E The High Note conta com bastantes, até, que com certeza farão as delícias dos fãs de música dos mais variados géneros.

O elenco do filme também conta com algumas caras conhecidas mas, dentro deste, somente Dakota Johnson e Tracee Ellis Ross conseguem chamar a atenção, com a última a servir de destaque do filme. Buscando inspiração nas experiências da sua mãe, a cantora Diana Ross, Tracee Ellis Ross consegue mostrar algumas características de uma diva da música com um ego correspondente, mas também exibe alguns momentos de vulnerabilidade e bom humor que a ajudam a tornar-se diferente dos estereótipos anteriormente vistos.

Em contraste, Johnson redime-se brevemente da sua performance da trilogia de Fifty Shades of Grey e oferece-nos uma performance que, embora um tanto ou quanto básica, é relaxada o suficiente para nos entretermos com a sua jornada.

No entanto, The High Note é um filme básico. Apesar das suas promessas, fica restrito a uma narrativa familiar e sem quaisquer surpresas pelo meio. E qualquer potencial que esta possa ter para aprofundar-se nos seus temas potenciais é simplesmente descartado. Existe uma fala no filme que refere não só o medo de uma profissional na meia-idade numa indústria claramente mais jovem, mas também existem questões sobre o papel do géneros e da cor da pele que ficam restringidos a mera linhas de falas e pouco mais.

E mesmo a narrativa do filme parece estar pintada num tom otimista que, infelizmente, não corresponde em nada à realidade à nossa volta. E isto sem mencionar o teor mais romântico que, apesar de oferecer alguns momentos mais doces do filme, é simplesmente descartado no seu terceiro ato.

The High Note não é tão mau quanto possa parecer, cortesia de uma banda-sonora cativante e Tracee Ellis Ross a roubar as atenções. No entanto, estes não mascaram os vários problemas que o filme enfrenta do primeiro ao último minuto.

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Título: The High Note
Realização: Gisha Ganatra
Elenco: Dakota Johnson, Tracee Ellis Ross, Kelvin Harrison Jr., Bill Pullman, Zoe Chao, June Diane Raphael, Eddie Izzard, Ice Cube
Duração: 113 minutos

Trailer | The High Note

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