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Crítica: Scott Pilgrim vs. the World (2010)

Scott Pilgrim vs. the World Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE SCOTT PILGRIM VS. THE WORLD!!!

Edgar Wright pode ser um nome relativamente recente no circuito cinematográfico, especialmente considerando que elaborou a Cornetto Trilogy e o filme Baby Driver como os exemplos mais conhecidos do seu trabalho até às data. Pelo meio da carreira, Wright lançou esta pequena pérola conhecida como Scott Pilgrim vs. the World. E com o filme prestes a celebrar os seus 10 anos de existência, vale a pena rever o filme com novos olhos.

Baseado nas graphic novels de Bryan Lee O’Malley, o filme segue o Scott Pilgrim titular, um jovem baixista de uma banda de garagem. Quando conhece a misteriosa Ramona Flowers, Scott está disposto a tudo para conquistar o seu amor. Só existe um senão nesta equação: Scott tem de derrotar os sete ex-namorados maus de Ramona.

No que toca aos pormenores mais técnicos, Scott Pilgrim vs. the World pode muito bem vir a ser um dos mais loucos que Edgar Wright nos entregou até à data. Traduzir o mundo louco de O’Malley para o ecrã pode ser a tarefa mais árdua (e acreditem, as graphic novels conseguem ser ainda mais bizarras do que o filme em si), mas graças à equipa técnica, o mundo de Scott Pilgrim ganha vida de forma louca.

Dizer que Scott vê o seu mundo como se fosse um videojogo pode parecer uma descrição a roçar no ridículo, mas o filme, através dos seus efeitos visuais e da edição de imagem vertiginosa, parece mesmo que entramos num autêntico videojogo. Seja pelos sons das pancadarias, pelos sons de pontos ganhos ou de onomatopeias como “POW!” e afins atiram-nos para um verdadeiro videojogo na vida real.

Apesar dessas qualidade a nível visual e também sonoro (não é à toa que Wright viria a elevar essa mesma componente com Baby Driver), o resto do filme deixa bastante a desejar. Em termos narrativos, Scott Pilgrim vs. the World possui várias semelhanças com uma típica história de romance entre dois jovens e, embora a componente visual e a ideia de o protagonista enfrentar sete oponentes poderosos podem ajudar a mascarar esses problemas, a génese da narrativa continua a ser a mesma.

O próprio ritmo não ajuda nessa campo, uma vez que parece mover-se a 200 km/h e sem quaisquer intenções de abrandar. Por outras palavras, passamos mais tempo com os personagens principais, mas não investe completamente no elenco secundário. Em contraste, os seus volumes que compõem a coleção tiveram tempo mais do que suficiente para melhor desenvolver os personagens que habitam este mundo bizarro.

E mesmo o elenco também tem alguns problemas nesse campo. Temos, por exemplo, Michael Cera que, apesar de tudo, não consegue escapar daquela visão a que nos habituámos com o ator, ainda que demonstre algumas falhas humanas. E depois temos Mary Elizabeth Winstead, que se revela apática quase do princípio ao fim, redimindo-se perto do terceiro ato. É caso para dizer que o grande vencedor do filme é Kieran Culkin no papel de Wallace, o colega de quarto de Scott dotado de um dry wit impossível de negar.

Scott Pilgrim vs. the World está longe de ser um filme perfeito, muito menos uma das melhores obras de Edgar Wright. No entanto, não se pode negar que, em termos visuais, é um dos filmes mais únicos que podemos encontrar no mercado neste momento.

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Título: Scott Pilgrim Contra o Mundo
Título Original: Scott Pilgrim vs. the World
Realização: Edgar Wright
Elenco: Michael Cera, Kieran Culkin, Anna Kendrick, Alison Pill, Aubrey Plaza, Mary Elizabeth Winstead, Jason Schwartzman, Johnny Simmons, Mark Webber, Ellen Wong, Chris Evans, Brie Larson, Mae Whitman, Brandon Routh
Duração: 112 minutos

Trailer | Scott Pilgrim vs. the World

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