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Mrs. America – Series Finale – 1ª Temporada

Mrs. America Series Finale

CONTÉM SPOILERS DE MRS. AMERICA!

Mrs. America é uma das melhores produções televisivas de 2020, que acompanha a vida do movimento dos direitos humanos e do protesto anti-feminista liderado pela carismática (ainda que ignorante) Phyllis Schlafly. Com um elenco invejável, uma notória realização, um argumento incrivelmente eficaz e uma moral extraordinária, Mrs. America torna-se um produto histórico que continua a marcar pela diferença nos dias que correm. É aquele pedaço de arte que nos faz refletir do quanto é necessário lutarmos pelos valores humanos e pelo sentimento de igualdade.

Mrs. America Series Finale
MRS. AMERICA — Pictured: Cate Blanchett as Phyllis Schlafly. CR: Sabrina Lantos/FX

O MELHOR:

Praticamente tudo…

Não há grandes aspetos negativos a dizer sobre Mrs. America. Tem as doses certas de drama, humor, mas são as atrizes magníficas que projetam esta mini-série para um patamar de excelência. Há toda uma naturalidade nas suas performances, que elevam, não só as suas qualidades, como também fazem jus às personagens que interpretam. Claro que algumas carecem de um desenvolvimento mais afincado, é certo… mas Mrs. America vai direta ao seu propósito, sem querer atrasar a temática, nem criar enredos secundários desnecessários.

Cate Blanchett, Margo Martindale, Tracey Ullman, Rose Byrne, Elizabeth Banks, Uzo Aduba, Sarah Paulson… e tantas, mas tantas outras atrizes magníficas enchem o ecrã de uma maneira brilhante, entrando constantemente em conflito de ideologias, sem nunca perder o rumo. A verdade é que Schlafly (que é interpretada por Blanchett) é a personificação de uma América com medo de mudança, que defende que o papel das mulheres é estarem em casa e servirem o seu marido e as suas famílias. Ela apela à estagnação e à falta valores do sexo feminino, como se este tivesse de estar inteiramente dependente do seu cônjuge que está “encarregue” de fornecer todas as condições. Já a ERA (Equal Rights Amendment) reflete sobre a igualdade de direitos de que as mulheres são tão aptas quanto os homens de ter uma carreira, progredir no seu trabalho, terem uma vida que não o cliché de “mulher de casa”.

Mrs. America Series Finale

Se formos a pensar, esta dicotomia de feminismo e anti-feminismo, para além de moralmente rica e interessante, revela o poder significativo de aceitar a mudança e de não reprimir a voz e a nossa génese enquanto ser humano. Se estivermos continuamente a categorizar a sociedade e a tentar inferiorizar os valores humanos com base naquilo que é considerado um tradicionalismo extremista, nunca iremos progredir. O que Mrs. America consegue, é precisamente uma revolução de pensamento. Uma ode à luta e à defesa da nossa integridade (sejamos homens, mulheres, negros, brancos, asiáticos, homossexuais, bissexuais, heterossexuais e por aí fora). Os rótulos têm sempre algo em comum: somos todos humanos. Portanto, em vez de estarmos continuamente à “batatada” com supremacias, mais vale pensarmos que toda a raça humana deve ser tratada da mesma forma, porque, de facto, somos todos feitos da mesma matéria e todos sangramos da mesma cor.

O PIOR:

Como referi anteriormente, Mrs. America tem de abdicar de um desenvolvimento de personagens secundárias para que o argumento não se perca a longo prazo.

Claro que isto pode prejudicar levemente o sumo total, mas a verdade é que é difícil coordenar tantas personagens ao mesmo tempo. Antes que fugisse do controlo dos argumentistas, Mrs. America, pelo menos, mantém claras todas as intenções dos seus intervenientes, sejam elas positivas ou negativas.

Ainda assim, é pouco pejorativo a longo curso e Mrs. America assume-se como uma das melhores produções televisivas deste ano até agora.

Mrs. America Series Finale
MRS. AMERICA — Pictured: Sarah Paulson as Alice. CR: Sabrina Lantos/FX

Estado da Série: TERMINADA

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Average Rating

Mrs. America é uma produção abismal, que não tem preocupações em mostrar o seu ponto, de uma época histórica para o ser humano. Com performances incrivelmente talentosas e um argumento vertiginoso, esta é uma das melhores produções do ano até agora.

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