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Crítica: 50/50 (2011)

50/50 Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE 50/50!!!

Não é exatamente surpreendente vermos uma obra cinematográfica em volta de um diagnóstico cancerígeno. Alguns contam com um final feliz, outros com um final mais traumático, mas a grande maioria tende a pender para uma veia mais dramática. E por isso, 50/50 consegue ser uma lufada de ar fresco, mesmo 9 anos depois.

Baseado em factos verídicos, 50/50 segue Adam, um jovem que trabalha numa estação de rádio a quem lhe é diagnosticado uma forma rara de cancro. A partir daqui, seguimos de perto a luta de Adam para se tratar e da forma como os mais próximos reagem a esta situação.

Atacar a temática do cancro através de um olhar mais cómico consegue ser uma tática arriscada, mas nas mãos do seu guionista, Will Reiser, os resultados são mais do que aparentes. Esta não é a primeira vez que Reiser trabalha numa comédia, e o humor de 50/50 torna-se mais do que palpável.

No entanto, não é segredo nenhum que a própria experiência de Reiser com um cancro na espinha dorsal e de como este diagnóstico afetou a sua amizade na vida real com Seth Rogen, portanto, por mais humor que o filme tentasse induzir, existem momentos dramáticos bem fortes do princípio ao fim. O guião de Reiser, juntamente com Jonathan Levine ao leme do filme, oferecem-nos uma história com uma pitada de humor que contrabalançam a temática bem real sobre este tipo de situações.

Torna-se mais do que claro que 50/50 também se dá ao trabalho de apresentar os personagens que habitam este mundo sem cair necessariamente nas caricaturas já habituais da vertente da comédia. Sim, quem já viu os trabalhos anteriores de Seth Rogen podem já estar mais do que habituados aos seus “tiques”, e mesmo a forma como Anjelica Huston apresenta a sua personagem pode contar com alguns exageros, mas o filme acaba por conseguir em pegar nesses preconceitos e dar a volta à situação. Noutras palavras: o homem mais nojento em termos de linguagem acaba por mostrar um lado mais carimhoso e uma “pseudo-controladora” desfaz-se quando a pressão é demasiada.

50/50 pode contar com um elenco secundário bem capaz na maior parte das situações, mas o filme acaba por pertencer a Joseph Gordon-Levitt. Sim, a sua personagem pode acabar por cair na velha perspetiva do “bom rapaz”, mas a ideia do diagnóstico e das responsabilidades que tal acarreta não passam despercebidas. E ao longo do filme, vemos o seu Adam, inicialmente apático, a abraçar as suas emoções e com a ideia de que esta pode muito bem vir a ser uma batalha pela sua vida. É uma performance tocante e Gordon-Levitt está absolutamente de parabéns!

50/50 pode não ser o filme mais complexo dentro desta temática, mas existe um carinho mais do que notável dentro desta história. E no meio de alguns filmes que roçam no depressivo e no trágico, se calhar algumas gargalhadas até seriam bem-vindas.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: 50/50
Realização: Jonathan Levine
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen, Anna Kendrick, Bryce Dallas Howard, Anjelica Huston
Duração: 100 minutos

Trailer | 50/50

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