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Crítica: The Ivory Game (2016)

The Ivory Game Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE THE IVORY GAME!!!

Já vi bastantes documentários sobre a vida selvagem para reconhecer a beleza e a majestade das várias criaturas que cohabitam o nosso planeta. No entanto, algumas destas criaturas encontram-se em risco de entrar em vias de extinção (algumas espécies já se encontram nesse estatuto), e muito se deve à mão do ser humano. E sim, há vários documentários que relatam o poder destrutivo do ser humano, que favorece uma riqueza “fácil” em detrimento do equilíbrio natural. The Ivory Game é um desses casos.

Este documentário relata os esforços de várias personalidades que tentam travar o tráfico e comércio de marfim, que vitimou imensos elefantes em território africano. O documentário mostra-nos autoridades a tentarem desmantelar uma rede de caçadores furtivos, enquanto uma equipa de investigadores pretendem expor o negócio do tráfico e comércio de marfim na China e em Hong Kong.

O tráfico de marfim é um tema bastante sensível e complexo na sua natureza, tanto que, quer queiramos admiti-lo ou não, continua a persistir nos nossos dias. The Ivory Game não tem qualquer interesse em simplificar esta problemática para a população em geral, mostrando os vários processos e riscos que várias pessoas espalhadas em África e na Ásia para combater este grave problema global.

Dito isto, existe algo de belo quando o documentário nos mostra imagens dos elefantes no seu habitat natural. Como seres que não possuem o mesmo tipo de raciocínio que o nosso, é fácil vê-los meramente como criaturas que habitam o “nosso” planeta. O que The Ivory Game nos mostra nos seus mais momentos mais ternurentos não podia ser mais diferente. Percorrem a área em manadas unidas, “choram” a morte de um dos seus, crias a brincarem com os seus progenitores… Em retrospetiva, seremos assim tão diferentes deles? Somos seres sociais que gostam de estar em grupo, fazemos o luto por quem nos é queridos e brincamos com os mais novos.

No entanto, esses momentos são fugazes e The Ivory Game não perde tempo em mostrar o lado negro da humanidade. Embora não vejamos os caçadores furtivos em ação, as suas consequências estão à vista de todos, seja pelos corpos de elefantes, o armazenamento do marfim em armazéns ou na forma descontraída como os envolvidos abordam este tema.

É fácil ficarmos desanimados com esta situação, mas pelo menos The Ivory Game ilustra os esforços de vários intervenientes e das suas motivações para despromover o tráfico e comércio de marfim. As duas frentes não podiam ser mais diferentes – os eventos em África lembram-me alguns filmes de ação, enquanto os eventos na China e em Hong Kong lembram-nos os filmes de espionagem de antigamente – mas a direção é a mesma, o que torna a mensagem transmitida mais do que clara: uma pessoa só não basta para fazer frente a uma guerra; só em cooperação com o próximo poderemos fazer mudanças significativas.

Tudo isto acoplado com uma componente técnica que, embora não seja tão importante, consegue surtir os resultados desejados. Seja pela banda sonora tenebrosa, ou a fotografia que captura África e Ásia de formas tão diferentes, mas igualmente espantosos, são o acompanhamento necessário para a mensagem que The Ivory Game transmite com sucesso.

The Ivory Game não é um documentário fácil de se ver e digerir, cortesia da sua temática contemporânea e sensível. E embora também demonstre os horrores que o ser humano é capaz de cometer em nome do dinheiro, também enche-nos o coração de esperança através das ações e sacrifícios de vários indivíduos espalhados pelo mundo. Oxalá vejamos o dia em que os elefantes não estejam em via de extinção.

Podem ler outras Críticas aqui. Ah, e podem descobrir mais no site oficial do documentário aqui: https://theivorygame.com/

Título: O Jogo do Marfim
Título Original: The Ivory Game
Realização: Kief Davidson, Richard Ladkani
Elenco: Craig Millar, Andrea Crosta
Duração: 112 minutos

Trailer | The Ivory Game

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